Entenda como funciona o procedimento, esclareça dúvidas e saiba por que manter estoques abastecidos é fundamental para salvar vidas
Com a chegada do Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a importância da doação de sangue, surgem dúvidas comuns sobre o procedimento. Questões como a necessidade de jejum, quem pode doar e quais cuidados devem ser tomados antes e depois da coleta ainda geram dúvidas entre a população.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 3,31 milhões de coletas de sangue em 2024 e 2,71 milhões em 2025 (dados preliminares de janeiro a outubro).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que cerca de 3% da população de cada país seja doadora de sangue para garantir estoques adequados e atender à demanda dos serviços de saúde.
Segundo Jéssica Brunoni, professora de Enfermagem do IBMR, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, a doação de sangue é um procedimento seguro e acessível para a maior parte da população, desde que alguns critérios sejam respeitados.
O que é preciso
Para ser um doador, é necessário ter entre 16 e 69 anos (menores de idade com autorização), estar em boas condições de saúde, e com peso acima de 50 quilos.
Situações como gripe, febre, anemia, transfusões sanguíneas realizadas no último ano, cirurgias ou extrações dentárias recentes, tatuagens e piercings feitos nos últimos 12 meses, além de gravidez e parto há menos de um ano, podem impedir temporariamente a doação.
Entre os mitos mais comuns está a crença de que é necessário estar em jejum para doar sangue. Segundo a professora, essa informação não é verdadeira.
O recomendado é apenas evitar refeições ricas em gordura nas três horas que antecedem a coleta. Também é incorreta a ideia de que a doação pode transmitir doenças ou causar problemas de saúde ao doador.
Processo simples
“Todo o material utilizado nos centros de captação de sangue é descartável e de uso único, então não existe risco de contrair doenças durante a doação. Além disso, quando a pessoa está apta para doar, a retirada desse volume de sangue não causa anemia nem oferece prejuízos à saúde”, explica Jéssica Brunoni.
A professora destaca ainda que a doação não deve ser utilizada como forma de realizar testes para diagnóstico de doenças.
“A doação de sangue não deve ser utilizada para fazer rastreio de doenças como HIV, hepatites e sífilis. Existem testes rápidos gratuitos disponíveis na rede pública de saúde e há também a chamada janela imunológica, período em que uma infecção recente pode não ser detectada. Por isso, a doação deve ser feita de forma consciente e responsável”, afirma.
O processo de doação é simples e dura poucos minutos. Ao chegar ao hemocentro, o candidato realiza um cadastro, apresenta um documento oficial com foto e passa por uma entrevista clínica conduzida por um profissional de saúde. Nessa etapa, são avaliadas as condições de saúde e possíveis impedimentos temporários para a doação. Após a aprovação na triagem, a coleta costuma levar entre 10 e 15 minutos.
Ao final do procedimento, o doador recebe um lanche e permanece alguns minutos em observação antes de ser liberado. Também é recomendado aumentar a ingestão de líquidos, evitar atividades físicas intensas no mesmo dia e não carregar peso com o braço utilizado para a coleta.
Outra dúvida comum diz respeito à frequência das doações. Os homens podem doar sangue a cada dois meses, respeitando o limite de quatro doações por ano. Já as mulheres podem realizar a doação a cada três meses, com limite anual de três doações.
Além de ser um gesto solidário, a doação tem impacto direto na vida de milhares de pacientes. Uma única bolsa de sangue pode ser fracionada em diferentes componentes, como hemácias, plasma e plaquetas, permitindo que mais de uma pessoa seja beneficiada a partir de uma única doação.
“A manutenção dos estoques é fundamental para garantir a realização de cirurgias, atendimentos de emergência, tratamentos oncológicos e hematológicos, entre diversos outros procedimentos. Como os componentes sanguíneos possuem prazo de validade, as doações precisam acontecer de forma contínua ao longo do ano. Por isso, a doação voluntária é tão importante para toda a sociedade”, conclui Jéssica Brunoni