Quem tem glaucoma pode fazer cirurgia de catarata?

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 17 de junho de 2026 às 19:30
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Especialista explica como a substituição do cristalino facilita o controle da pressão ocular e alerta para os riscos de adiar o procedimento

Entenda como a cirurgia de catarata ajuda a controlar a pressão ocular e pode reduzir ou zerar a necessidade de colírios em pacientes com glaucoma (Foto Getty Images)

 

Uma dúvida recorrente nos consultórios oftalmológicos ganhou um esclarecimento fundamental da ciência. Por falta de informação adequada, muitos pacientes adiam a cirurgia de catarata, sem saber que, quanto mais postergam o procedimento, maior se torna o risco de perda definitiva da visão em decorrência do glaucoma.

O médico oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, explica que a catarata progressiva torna o cristalino do olho mais espesso.

Esse aumento de volume dificulta diretamente a drenagem do humor aquoso (o fluido que preenche o olho), elevando a pressão intraocular e provocando a morte das células do nervo óptico.

Uma evidência contundente dos benefícios da substituição do cristalino rígido por uma lente intraocular fina e flexível foi publicada no American Journal of Ophthalmology.

O estudo acompanhou 623 voluntários com glaucoma de ângulo aberto e registrou uma queda significativa na pressão interna dos olhos após a intervenção, permitindo que os pacientes reduzissem drasticamente a quantidade diária de colírios.

Embora o procedimento não represente a cura definitiva do glaucoma, ele facilita o gerenciamento da doença. Em pacientes com glaucoma de ângulo fechado, as taxas de sucesso em zerar ou reduzir os medicamentos são ainda maiores, já que a retirada do cristalino resolve na raiz a causa do bloqueio do canal de drenagem.

Os Três Estágios do Glaucoma

De acordo com estimativas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o Brasil contabiliza atualmente cerca de 2,5 milhões de pessoas com glaucoma. Por ser uma condição silenciosa e assintomática no início, conhecer os estágios da doença é vital para a prevenção:

Glaucoma Leve (Estágio Inicial): O campo visual não apresenta nenhuma perda perceptível nos testes padrão. O nervo óptico exibe alterações iniciais sutilíssimas (como leve aumento da escavação), mas o paciente permanece totalmente assintomático.

Glaucoma Moderado: Manchas escuras começam a surgir na periferia, concentrando-se em apenas uma das metades do campo visual (geralmente na metade superior ou na inferior), sem afetar o centro da visão. A maioria dos pacientes ainda não nota as falhas, pois o cérebro e o olho saudável compensam os pontos cegos.

Glaucoma Severo (Avançado): Os pontos cegos já ocupam as duas metades do campo visual ou invadiram a área central da visão. Há um dano extenso no nervo óptico e o paciente experimenta a “visão em túnel” (perda da visão lateral), relatando dificuldades para caminhar sem esbarrar em objetos ou prejuízos na leitura.

Impacto Real no Uso de Colírios

A taxa de sucesso no descarte dos colírios após a cirurgia de catarata varia de acordo com a gravidade do caso e a técnica utilizada:

Glaucoma leve a moderado (cirurgia isolada): Entre 30% e 50% dos pacientes conseguem parar completamente de usar colírios após realizarem apenas a operação de catarata.

Glaucoma leve a moderado (procedimento combinado): Quando a retirada da catarata é associada ao implante de um microstent de drenagem, o índice de sucesso salta para 70% a 80% dos pacientes livres do colírio.

Glaucoma avançado: A cirurgia isolada raramente substitui os colírios, funcionando mais para evitar novos picos de pressão. A redução obtida costuma durar de 1 a 2 anos, exigindo o retorno gradual das medicações conforme o olho envelhece.

O Risco do Pico de Pressão

Para quem tem a doença, o principal risco imediato no pós-operatório da catarata é o pico de pressão intraocular.

Enquanto um aumento súbito não gera danos em um olho saudável, em um nervo óptico já fragilizado pelo glaucoma o impacto pode ser prejudicial.

Essa alteração pode decorrer da retenção de fragmentos da substância viscoelástica usada na cirurgia, da inflamação natural do olho ou do uso necessário de corticoides.

A boa notícia é que os cirurgiões estão plenamente preparados para combater e reverter esse risco imediatamente com medicações específicas.

Diante disso, a medicina reforça que o maior perigo para a visão do paciente continua sendo a falta de adesão ao tratamento e o atraso no diagnóstico.

Fonte: Notícias ao Minuto


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