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Com expectativa de natural perda de votos, veterano deputado vê
suas dificuldades crescerem
Caso o governador Márcio França não confirme um crescimento (que parece impossível) a apenas cinco dias da eleição de domingo para, ao menos, ir ao 2º turno (cuja disputa, nesta reta final está polarizada entre João Dória, PSDB e Paulo Skaff, do MDB), o deputado estadual de Franca, Roberto Engler, agora no PSB, terá duas dificuldades a enfrentar: ser reeleito e, caso isso se confirme, participar de uma legislatura onde será, pela primeira vez, em quase 30 anos, oposição ao governo na Assembleia Legislativa do Estado.
Estrategicamente, Roberto Engler errou feio ao permanecer no PSDB, do qual é um dos fundadores em Franca, mesmo tendo a porta do Gabinete do Governador Geraldo Alckmin fechada em sua cara por diversas vezes, principalmente no desgastante episódio da implantação de novos pedágios na Rodovia Cândido Portinari.
Roberto Engler, pego de surpresa (depois de espalhar outdoors com a frase “Esta rodovia será duplicada e não terá pedágios) com o anúncio de que seriam implantados dois pedágios nos trechos duplicados das rodovias Cândido Portinari (entre Cristais e Pedregulho) e Ronan Rocha (Franca a Patrocínio), chegou a reclamar que, após esta decisão, só conseguia ser ouvido (mas não atendido), por ofício protocolado no Gabinete de Alckmin, de quem foi um dos fiéis escudeiros na Alesp.
Desnorteado, Engler aderiu ao movimento “Diga não aos Pedágios”, que nasceu de forma espontânea em Franca e cidades da região, pegando carona nas ações que realizaram manifestos nas rodovias e conseguiram o recuo de Alckmin.
Roberto Engler foi apenas um ator no movimento exitoso, um caronista, adesista de última hora, enfim, um oportunista.
Nocauteado pelo desprezo de Alckmin, depois de ter sido fiel escudeiro do governo tucano na Assembleia, principalmente na condição de Relator do Orçamento do Estado, por vários anos, o veterano deputado francano demorou a assimilar seu desgaste com o governo (e vice-versa), tomando a decisão de deixar o PSDB tardiamente, dando um verdadeiro “tiro no escuro”, saindo do partido ao qual pertenceu durante quase três décadas (desde quando saiu do PMDB, ainda quando era vereador em Franca, na década de 80).
Se a escolha do momento foi ruim, o partido escolhido foi pior ainda. Embora sucessor de Alckmin, pouco demorou para que o vice Márcio França entrasse em atrito com o “parceiro” João Dória, candidato do PSDB, com quem o governador deveria “dividir” palanque justamente em favor de quem? isso mesmo, de Alckmin, por causa de quem Engler saiu do ninho tucano desesperada e tardiamente.
Como Dória e França estão finalizando a campanha na base do “salve-se quem puder” (tão comum em política), pulando fora do ninho tucano, pois Alckmin não decolou e na pesquisa de ontem marcou apenas 9% nas intenções de voto para Presidente, Engler é apenas mais um na campanha pessebista.
Nas últimas semanas, Engler peregrinou pelos municípios da região, pregando promessas que até uma criancinha sabe que ele não poderá e não terá como cumprir caso França não quebre todas as barreiras eleitorais (e a lógica das urnas).
O candidato de Engler ao Governo do Estado terá que tirar Dória ou Skaff do páreo, indo ao 2º turno e, depois, vencer também a segunda fase da corrida ao Palácio dos Bandeirantes, na votação do final do mês.
Há quem diga que projeções feitas pelo PSB de Franca mostram que Engler poderá ser reeleito caso atinja 60 mil votos na eleição de domingo, pois esta seria a linha de corte no partido.
Embora seja pouco (metade dos votos que ele teve em 2013 para o atual mandato 2014-2018), menos mal para o deputado, mas isso não significará que, eleito, será o deputado que Franca precisa, pois nunca foi oposição ao governo e isso parece um pouco tarde para ser seu novo perfil político.
Enfim, Engler paga pela sua pífia atuação como representante de Franca, para onde trouxe poucas conquistas, mas muitas promessas, tendo errado feio em sua estratégia de, primeiro, atuar mais ostensivamente para outras regiões em busca de densidade eleitoral no Estado e, segundo, por uma mudança brusca de partido que pegou de surpresa seus eleitores e o fez parecer mais um mau oportunista do que um bom estrategista.