Saiba como proteger a saúde das crianças no Carnaval, escolhendo maquiagens e fantasias seguras e evitando riscos à pele e ao desenvolvimento
Carnaval é tempo de cor, fantasia e diversão. Mas também é momento de atenção redobrada com a saúde infantil (Foto Shutterstock)
O Carnaval é tempo de cor, fantasia e diversão. Mas também é momento de atenção redobrada com a saúde infantil. Maquiagens, glitters e fantasias podem parecer inofensivos.
Ainda assim, o uso inadequado traz riscos para a pele, para o desenvolvimento hormonal e até para a forma como a criança enxerga a própria infância.
O alerta é da endocrinologista pediatra Dra. Lívia Franco, docente de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba).
Pele infantil é mais sensível
A pele da criança é mais fina, sensível e permeável que a pele adulta. Isso significa que:
– Irrita com mais facilidade.
– Absorve mais substâncias químicas.
– Reage mais rápido a produtos inadequados.
Por isso, maquiagens feitas para adultos não são a melhor escolha para o público infantil. Mesmo em uso pontual, podem causar problemas de saúde da pele.
Riscos de maquiagens de adultos em crianças
Produtos de maquiagem para adultos podem conter:
– Fragrâncias em excesso.
– Conservantes em concentração elevada.
– Corantes pouco indicados para peles sensíveis.
Segundo a especialista, isso aumenta o risco de:
– Dermatites de contato.
– Vermelhidão e coceira.
– Irritação nos olhos.
– Reações alérgicas mais intensas.
Na prática, aquela maquiagem “inofensiva” de Carnaval pode resultar em dias de desconforto, uso de pomadas e até necessidade de atendimento médico.
Desreguladores endócrinos: impacto na saúde hormonal
Outro ponto importante está dentro dos frascos, mas não aparece a olho nu. São os desreguladores endócrinos.
Essas substâncias podem interferir no funcionamento normal dos hormônios. Em cosméticos, podem estar presentes em alguns tipos de:
– Conservantes.
– Fragrâncias.
– Plastificantes e outros componentes.
Na infância, o sistema hormonal ainda está em desenvolvimento. Somado a isso, a pele é mais permeável. Resultado: a criança fica mais vulnerável à absorção desses compostos.
O uso eventual de um produto não significa, sozinho, um problema de saúde. Mas a exposição a desreguladores endócrinos é cumulativa ao longo da vida.
Por isso, a orientação é clara: evitar ao máximo produtos que não sejam específicos para o público infantil.
Glitter e tintas faciais: brilho que pode machucar
O glitter comum e algumas tintas faciais também podem oferecer riscos à saúde.
Os problemas mais comuns incluem:
– Microlesões na pele, causadas por partículas ásperas.
– Dermatites e irritações, especialmente em peles sensíveis.
– Irritação ocular, caso escorra ou seja esfregado perto dos olhos.
– Infecções de pele em regiões já machucadas.
Em crianças menores, existe ainda o risco de inalação ou ingestão acidental. Basta uma mão suja indo à boca ou ao nariz.
Sempre que possível, o ideal é evitar glitter comum e priorizar produtos com indicação infantil e rotulagem clara.
Fantasias e calor: atenção à pele e ao conforto
As fantasias também têm impacto direto na saúde da pele.
Muitas peças são feitas com tecidos sintéticos, materiais pouco respiráveis, modelos apertados, com muitos elásticos.
Em dias de calor, como costuma acontecer no Carnaval, isso favorece:
– Assaduras.
– Coceiras e irritações.
– Dermatites.
– Infecções de pele, principalmente em áreas de dobra.
Regiões mais afetadas:
– Pescoço.
– Axilas.
– Virilhas.
– Atrás dos joelhos.
Em bebês e crianças pequenas, o risco é ainda maior. Calor, suor e atrito formam um combo perigoso para a pele delicada.
Adultização precoce: quando a fantasia passa do ponto
Além da pele e dos hormônios, existe outro ponto de atenção: a adultização infantil.
A médica alerta para o uso de maquiagens pesadas, roupas muito justas ou reveladoras, fantasias sexualizadas ou inspiradas em estéticas adultas.
Esse tipo de escolha pode antecipar comportamentos e expectativas que não combinam com a fase da infância.
A criança pode ser exposta a olhares, comentários e contextos para os quais não está pronta.
A infância deve ser um tempo de:
– Brincar.
– Imaginar.
– Se expressar de forma lúdica, segura e adequada à idade.
Como escolher opções mais seguras para o Carnaval infantil
Para conciliar festa e saúde no Carnaval, algumas escolhas simples fazem grande diferença:
Na maquiagem:
– Use apenas produtos com indicação infantil.
– Verifique rótulo, validade e procedência.
– Evite maquiagens de adultos e produtos sem informação clara.
No glitter e nas tintas:
– Prefira versões próprias para crianças.
– Evite aplicar perto dos olhos.
– Descarte produtos sem rotulagem ou com cheiro forte estranho.
Nas fantasias:
– Dê preferência a tecidos leves, como algodão.
– Evite roupas muito apertadas ou com elásticos que marcam a pele.
– Observe se a criança está suando demais ou reclamando de coceira.
Depois da folia: cuidados para proteger a saúde infantil
Os cuidados não terminam na saída do bloco.
Ao chegar em casa, é importante:
– Retirar a maquiagem o quanto antes.
– Usar sabonete suave, indicado para o público infantil.
– Enxaguar bem o rosto e o corpo.
– Observar a pele nas horas seguintes.
Se aparecer vermelhidão intensa, coceira persistente, inchaço ou desconforto nos olhos, é fundamental procurar orientação médica.
Carnaval saudável, divertido e no tempo da infância
Com informação e prevenção, é possível viver um Carnaval colorido e, ao mesmo tempo, cuidadoso com a saúde das crianças.
Escolher produtos específicos para o público infantil, evitar desreguladores endócrinos, cuidar da pele em dias de calor e respeitar a fase da infância são atitudes que protegem o corpo e também o desenvolvimento emocional.
Como resume a especialista, o cuidado começa na preservação da infância. Assim, as crianças podem aproveitar a folia de forma leve, protegida e adequada à idade.