Brasileiros não se sentem preparados para lidar com a morte, diz pesquisa

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 22 de setembro de 2018 às 20:39
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:02
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Apesar disso, 79,5% concordam que a morte é um fenômeno tão natural quanto crescer

O brasileiro se
julga pouco preparado para enfrentar a morte. Apesar disso, 79,5% concordam que
a morte é um fenômeno tão natural quanto crescer, e 81,2% que “a morte é a
única certeza que temos”.

Levantamento feito pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios
Particulares do Brasil (Sincep) aponta que 68% dos entrevistados concordam com
a frase “eu sei que a morte virá, mas não me sinto pronto para isso”.

Mesmo aceitando a naturalidade do fim da vida, o levantamento
mostra que 82,4% das pessoas a relacionam com um grande sofrimento e acreditam
que não há nada mais dolorido que a perda de uma pessoa. Segundo o estudo, 75%
dos entrevistados têm muito medo de perder alguém. Apenas 1,6% avaliaram não
ter receio nenhum de que alguma pessoa próxima morra. O levantamento
entrevistou mil pessoas em todo o país.

Falar sobre a morte
também não é muito presente no cotidiano dos entrevistados: 73,7% deles admitem
que o tema tem sido evitado nas conversas. As pessoas com mais de 55 anos são
as que mais falam sobre o assunto: 32,5% deles dizem tratar do tema
cotidianamente. A porcentagem cai com a diminuição da faixa etária: de 45 a 55
anos, 29% falam sobre o tema no dia a dia; de 35 a 44 (26%); de 25 a 34
(26,4%); e de 18 a 24 (21%).

Dentre aqueles que falam sobre a morte, 53% têm como
interlocutores os amigos; 43%, a mãe; 30%, o marido; 29%, o filho; 27%, a
esposa; 27%, colega de religião; e 24%, o pai. O levantamento aponta que 55,3%
têm ciência que conversar sobre a morte é importante, mas concordaram com a
afirmação de que “as pessoas geralmente não estão preparadas para ouvir”.

O levantamento será apresentado na capital paulista na próxima
semana durante uma conferência internacional sobre a morte que reunirá
psicólogos, médicos e doulas de cuidados paliativos. A pesquisa aponta que é
cada vez menor o tempo que as pessoas passam em velórios e nos rituais de
celebração dos entes. Uma das conclusões é de que há uma negação do luto entre
os brasileiros.