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Além do DNA: cientistas descobrem como estilo de vida dos pais passa para os filhos

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 3 de abril de 2021 às 13:00
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Descoberta é importante avanço para estudos relacionados à doenças de causa hereditária

Herança genética é um forte fator determinante da saúde e da doença dos filhos

 

Há muito tempo se sabe que o DNA dos pais é um forte fator determinante da saúde e da doença nos filhos.

No entanto, a herança genética, via DNA, é apenas parte da história de participação dos pais na saúde e na doença da prole.

O estilo de vida do pai e da mãe, como sua dieta, excesso de peso e níveis de estresse – comportamentos esses tomados previamente à concepção – têm sido associados a consequências para a saúde de seus filhos.

Isso ocorre por meio do epigenoma, marcas bioquímicas hereditárias associadas com as proteínas que se ligam ao DNA – esse mecanismo é conhecido como herança epigenética.

Mas como essas informações são transmitidas na fertilização, juntamente com os mecanismos e moléculas exatos no esperma que estão envolvidos neste processo, é algo que só agora os médicos e cientistas estão começando a estudar.

E a equipe da professora Ariane Lismer, da Universidade McGill (Canadá), acaba de fazer um avanço significativo nessa área ao identificar como as informações ambientais são transmitidas por moléculas no esperma que não são de DNA.

É uma descoberta que avança a compreensão científica da hereditariedade das experiências de vida paterna e potencialmente abre novos caminhos para estudar a transmissão e prevenção de doenças.

Hereditariedade sem DNA

Os pesquisadores descobriram que as mudanças induzidas pela dieta em um determinado grupo de moléculas (grupos metil), associadas às proteínas histonas (que são críticas para empacotar o DNA nas células), levaram a alterações na expressão gênica em embriões e defeitos de nascença na coluna e no crânio.

O que foi notável foi que as mudanças nos grupos metil nas histonas nos espermatozoides foram transmitidas na fertilização e permaneceram no embrião em desenvolvimento – tudo sem qualquer sinal da tradicional herança via DNA.

“É notável, mostrando uma mudança significativa em relação ao que se sabe sobre hereditariedade e doença, passando de algo apenas baseado no DNA, para uma visão que agora inclui proteínas no esperma”.

“Este estudo abre as portas para a possibilidade de que a chave para compreender e prevenir certas doenças pode envolver proteínas no esperma,” disse da Dra. Sarah Kimmins.

O próximo passo será determinar se essas alterações prejudiciais induzidas nas proteínas do esperma (histonas) podem ser reparadas para evitar sua passagem para os filhos.

*Informações Diário da Saúde


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