A fotografia que correu o mundo e fez muita gente se comover com a dor da tragédia

  • Nene Sanches
  • Publicado em 8 de fevereiro de 2023 às 13:00
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Fotografia de pai segurando a mão de filha soterrada por prédio que desabou na Turquia comoveu pessoas em todo o mundo

Com o olhar perdido, Mesut Hancer segura a mão de sua filha morta, Irmak, de 15 anos, inerte entre duas placas de concreto.

A imagem do pai ao lado da filha, morta sobre na calma enquanto dormia durante o terremoto da trágica madrugada da segunda-feira na Turquia, comoveu o mundo nesta segunda-feira (07).

Segundo notícia do portal Metsul, a fotografia do repórter fotográfico Adem Altan, da agência internacional de notícia AFP, estampou durante o dia as capas das edições digitais de jornais brasileiros e do mundo.

A imagem ao mesmo tempo de profunda dor e amor paterno foi feita na cidade turca de Kahramanmaras, onde sofrimento e a revolta se misturam, em meio à falta de ajuda às vítimas do terremoto que deixou milhares de mortos.

Epicentro

Epicentro do devastador terremoto de 7,8 de magnitude que abalou o sul e o sudeste da Turquia na segunda-feira (6), Kahramanmaras é apenas ruína e desolação.

Até esta terça, nenhuma ajuda, ou suprimentos, havia chegado a esta cidade de mais de um milhão de habitantes, situada no Sul da região da Capadócia.

Assim como na cidade de Antioquia, mais ao sul, às portas da Síria, acumulam-se frustração e ressentimento com o Estado ausente.

Ali Sagiroglu espera por reforços há dois dias, ainda na esperança de ver seu irmão e seu sobrinho, presos nos escombros de seu prédio. Os oito prédios do conjunto Ebrar, no centro da cidade, desabaram sobre si mesmos.

Só tristeza

Eram 4 da madrugada, e poucos dos que dormiam conseguiram sair a tempo de seus apartamentos, cerca de dez para cada prédio.

“Onde está o Estado? Onde estão? Olhe ao seu redor. Não tem um único funcionário, pelo amor de Deus. Já se passaram dois dias, e não vimos ninguém. Não trouxeram nem um único tijolo. As crianças morreram congeladas”, desabafa Ali.

Na noite de terça-feira (08), a primeira após a catástrofe, uma nevasca misturada com chuva torrencial envolveu os sobreviventes em um frio úmido.

Sem nem mesmo uma barraca para se abrigar, quem tinha carro pernoitou no veículo, enquanto outros se amontoavam em torno de braseiros na rua.

Frio e chuva

“Ontem de manhã você ainda podia ouvir as vozes pedindo ajuda nos escombros, mas elas se calaram. As pessoas provavelmente morreram congeladas”, disse um homem de 40 anos que procurou ajuda e pediu para não ser identificado.

Segundo ele, pelo menos 150 pessoas ficaram presas em cada prédio do conjunto de Ebrar. Nas ruas devastadas, os sobreviventes esperam ao lado dos corpos de seus entes queridos, enrolados em uma manta. Ninguém aparece para buscá-los.

Na casa de Cuma Yildiz, há raiva e tristeza ao mesmo tempo. “Onde eles estão? Falam, falam, brigam feito cães, mas onde estão agora?”, questiona, chorando.

Na tentativa de desmentir as queixas da população, o ministro do Interior, Suleyman Soylu, visitou Kahramanmaras nesta terça-feira e afirmou que, até agora, 2.000 socorristas foram mobilizados para as áreas afetadas.


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