Com 58 mil casos de dengue neste ano, São Paulo reforça ações em 11 regiões consideradas prioritárias para arboviroses
Dos 17 Departamentos Regionais de Saúde (DRS) de São Paulo, Franca e outros 10 foram classificados como prioritários para ações de prevenção e resposta às arboviroses diante dos possíveis impactos do El Niño.
O mapeamento integra o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde, elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) para antecipar riscos, orientar os municípios e preparar a rede assistencial.
As regiões prioritárias são: Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto.
Nesses territórios, em virtude da previsão de mais chuvas e calor, a avaliação considera a possibilidade de aumento da transmissão de dengue, chikungunya e zika, maior procura pelos serviços de saúde e crescimento das internações.
Cenário meteorológico
“A alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.
Segundo ela, “o estado está se antecipando a esse cenário, com o reforço da vigilância e a preparação dos serviços de saúde, mas a participação da população também é decisiva. Fazer uma vistoria semanal e eliminar recipientes com água parada são medidas simples e eficazes”.
O cenário meteorológico reforça a necessidade de preparação. Segundo o boletim mais recente de monitoramento do El Niño, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro.
Para o período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do estado de São Paulo.
Casos de dengue caem 93,2%
Apesar do alerta para os próximos meses, o cenário epidemiológico atual apresenta melhora expressiva. Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, São Paulo registrou 58.271 casos de dengue, ante 855.132 no mesmo período de 2025 — quase 797 mil casos a menos.
Mesmo com a redução de 93,2%, a SES-SP mantém o monitoramento semanal dos indicadores para identificar alterações na circulação do vírus e orientar, de forma antecipada, as ações de vigilância, controle do mosquito e assistência à saúde.
Preparação antecipada
O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño foi estruturado para apoiar as regiões de saúde e os municípios diante de quatro cenários: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses.
Para o enfrentamento das arboviroses, o planejamento prevê o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o acompanhamento dos indicadores, o controle do vetor e a organização da rede para uma eventual elevação da demanda. As medidas devem ser adotadas de acordo com o nível de risco identificado em cada território.
O Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o Fenômeno El Niño está disponível em https://portal.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/central/planoestadualdepreparacaaoerespostaemsauudeparaofenoemenoelninao.pdf
Como eliminar os criadouros
A principal recomendação é fazer uma vistoria semanal em casas e apartamentos, com atenção redobrada após períodos de chuva:
Mantenha caixas-d’água e outros reservatórios bem fechados;
Remova folhas e materiais que possam impedir o escoamento da água pelas calhas;
Preencha os pratos dos vasos de plantas com areia até a borda;
Troque a água e lave os vasos de plantas aquáticas com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana;
Guarde garrafas e outros recipientes com a abertura voltada para baixo;
Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha as lixeiras fechadas;
Descarte corretamente pneus, embalagens e objetos que possam acumular água;
Após as chuvas, verifique quintais, varandas, ralos e áreas de serviço.
Sintomas e sinais de alarme
De acordo com a Secretaria, a primeira manifestação da dengue costuma ser a febre alta, acima de 38°C, de início repentino e duração de dois a sete dias. Também podem ocorrer:
Dor de cabeça;
Dores no corpo e nas articulações;
Dor atrás dos olhos;
Fraqueza e mal-estar;
Náuseas e vômitos;
Manchas vermelhas e coceira na pele.
Os sinais de alarme podem surgir principalmente quando a febre começa a ceder.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos e cansaço extremo ou irritabilidade exigem atendimento imediato. Em caso de suspeita, procure um serviço de saúde e não se automedique.
Dengue 100 Dúvidas
O portal Dengue 100 Dúvidas, do Governo de São Paulo, reúne respostas às cem perguntas mais buscadas na internet sobre dengue, zika e chikungunya.
A ferramenta esclarece informações falsas e orienta a população sobre prevenção, sintomas e tratamento. O acesso está disponível no link: www.dengue100duvidas.sp.gov.br.