Estudos apresentados no CBEM 2026 mostram que agonistas de GLP-1 combinados a inibidores de SGLT2 reduzem mortalidade
Canetas emagrecedoras ajudam a prevenir insuficiência cardíaca em pacientes com obesidade; veja detalhes (Foto Arquivo)
No primeiro dia do 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), realizado no Rio de Janeiro, especialistas alertaram para a relação direta entre obesidade e insuficiência cardíaca.
De acordo com o endocrinologista Marcello Bertoluci, coordenador da diretriz nacional de tratamento da obesidade, o uso das chamadas “canetas emagrecedoras” aliado a medicamentos protetores do coração é fundamental para barrar o avanço da doença antes que ocorra um infarto ou AVC.
A visão médica tradicional de que a insuficiência cardíaca surge apenas após eventos isquêmicos vem sendo superada: o acúmulo de gordura e o estresse inflamatório grave provocam sobrecarga cardíaca direta em pacientes obesos.
Combinação Terapêutica e Benefícios Comprovados
Embora a perda de peso seja essencial, a ciência aponta que apenas emagrecer não basta para deter os danos ao coração e aos rins. Por isso, a nova diretriz recomenda a combinação de duas classes de medicamentos a partir do IMC 27:
Agonistas de GLP-1 (como semaglutida e tirzepatida): Atuam na redução de peso e reduzem em média 14% a incidência de eventos cardiovasculares graves e mortes;
Inibidores do SGLT2 (como dapagliflozina e empagliflozina): Medicamentos que diminuem a sobrecarga de trabalho do órgão e contêm a evolução da lesão cardíaca e renal.
Sinais Discretos e Protocolo de Rastreamento
Na pessoa com obesidade, a insuficiência cardíaca costuma dar sinais sutis e genéricos, como fadiga leve ou cansaço aos esforços, retardando o diagnóstico feito por exames como ecocardiograma e o teste de proteína NT-proBNP.
Para antecipar a identificação da chamada síndrome cardiorrenal metabólica, o novo protocolo de monitoramento recomenda avaliação cardiovascular para:
– Pacientes com IMC acima de 40 (mesmo sem outras doenças);
– Pacientes com IMC acima de 35 e mais de 60 anos com hipertensão ou diabetes;
– Pessoas com obesidade associada à apneia grave do sono, fibrilação atrial ou histórico de infarto.
A diretriz reforça que a meta clínica deve associar a mudança no estilo de vida para perder ao menos 10% do peso corporal com o tratamento farmacológico precoce.