Combustível fora das especificações pode provocar falhas, perda de desempenho, e dificuldade para dar partida
Abastecer o veículo com combustível de qualidade duvidosa pode transformar uma economia aparentemente pequena em um prejuízo significativo para o motorista.
No caso do etanol, a presença de água em quantidade acima do permitido pelas especificações pode alterar as características do combustível e provocar uma série de problemas no funcionamento do motor.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelece parâmetros para garantir que o produto comercializado nos postos esteja adequado ao uso.
Quando o etanol apresenta excesso de água ou outras substâncias contaminantes, o motor pode apresentar dificuldade para funcionar corretamente.
Entre os sinais mais comuns estão falhas durante a aceleração, perda de potência, funcionamento irregular, dificuldade para dar partida, aumento do consumo e até apagões do motor.
A utilização contínua de combustível fora das especificações também pode favorecer problemas no sistema de alimentação, incluindo bomba e injetores, além de aumentar a necessidade de manutenção.
A ANP informa que o etanol hidratado adequado para motores deve apresentar teor alcoólico entre 92,5% e 95,4%. No caso do etanol hidratado premium, o intervalo é de 95,5% a 97,7%.
O produto também deve estar límpido e livre de impurezas. O posto deve manter um termodensímetro junto às bombas de etanol, permitindo a conferência das características do combustível.
A água não é o único problema possível. A adulteração pode envolver a presença de solventes, contaminantes ou outras substâncias que alteram a composição do combustível.
A própria ANP alerta que um combustível não conforme nem sempre significa adulteração proposital: ele também pode ter sido contaminado durante armazenamento ou transporte.
Para reduzir os riscos, o motorista deve dar preferência a postos de confiança, observar se a bomba apresenta as informações obrigatórias e ficar atento ao aspecto do combustível.
No caso do etanol, a ANP orienta o consumidor a observar o termodensímetro e verificar se o produto está límpido, sem impurezas e sem coloração anormal.
Outro cuidado importante é guardar a nota fiscal do abastecimento. O documento ajuda a comprovar onde o combustível foi adquirido caso o veículo apresente problemas posteriormente.
Se houver suspeita de irregularidade, o consumidor pode solicitar testes previstos pela regulamentação. Para a gasolina, por exemplo, é possível pedir o teste da proveta, que verifica o percentual de etanol anidro presente no combustível.
Também é recomendável observar o comportamento do veículo após o abastecimento. Se surgirem repentinamente falhas, engasgos, perda de potência, dificuldade para ligar ou funcionamento anormal logo depois de abastecer, o motorista deve evitar continuar utilizando o veículo sem verificar a causa.
Em caso de suspeita de combustível contaminado ou adulterado, é importante procurar uma oficina para avaliação e preservar a documentação do abastecimento.
O consumidor ainda pode denunciar suspeitas de irregularidades à ANP pelo telefone 0800 970 0267 ou pelos canais oficiais da Agência. As denúncias ajudam a direcionar as ações de fiscalização dos postos de combustíveis.
A principal recomendação, portanto, é não escolher o posto apenas pelo preço. Um combustível aparentemente mais barato pode representar um custo muito maior caso provoque falhas ou danos ao sistema do veículo.
A atenção no momento do abastecimento e a escolha de estabelecimentos confiáveis são medidas simples que ajudam a preservar tanto o motor quanto o bolso do motorista.