Excesso de água no etanol pode comprometer o motor; veja como evitar problemas

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 21 de agosto de 2026 às 15:00
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Combustível fora das especificações pode provocar falhas, perda de desempenho, e dificuldade para dar partida

Abastecer o veículo com combustível de qualidade duvidosa pode transformar uma economia aparentemente pequena em um prejuízo significativo para o motorista.

No caso do etanol, a presença de água em quantidade acima do permitido pelas especificações pode alterar as características do combustível e provocar uma série de problemas no funcionamento do motor.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelece parâmetros para garantir que o produto comercializado nos postos esteja adequado ao uso.

Quando o etanol apresenta excesso de água ou outras substâncias contaminantes, o motor pode apresentar dificuldade para funcionar corretamente.

Entre os sinais mais comuns estão falhas durante a aceleração, perda de potência, funcionamento irregular, dificuldade para dar partida, aumento do consumo e até apagões do motor.

A utilização contínua de combustível fora das especificações também pode favorecer problemas no sistema de alimentação, incluindo bomba e injetores, além de aumentar a necessidade de manutenção.

A ANP informa que o etanol hidratado adequado para motores deve apresentar teor alcoólico entre 92,5% e 95,4%. No caso do etanol hidratado premium, o intervalo é de 95,5% a 97,7%.

O produto também deve estar límpido e livre de impurezas. O posto deve manter um termodensímetro junto às bombas de etanol, permitindo a conferência das características do combustível.

A água não é o único problema possível. A adulteração pode envolver a presença de solventes, contaminantes ou outras substâncias que alteram a composição do combustível.

A própria ANP alerta que um combustível não conforme nem sempre significa adulteração proposital: ele também pode ter sido contaminado durante armazenamento ou transporte.

Para reduzir os riscos, o motorista deve dar preferência a postos de confiança, observar se a bomba apresenta as informações obrigatórias e ficar atento ao aspecto do combustível.

No caso do etanol, a ANP orienta o consumidor a observar o termodensímetro e verificar se o produto está límpido, sem impurezas e sem coloração anormal.

Outro cuidado importante é guardar a nota fiscal do abastecimento. O documento ajuda a comprovar onde o combustível foi adquirido caso o veículo apresente problemas posteriormente.

Se houver suspeita de irregularidade, o consumidor pode solicitar testes previstos pela regulamentação. Para a gasolina, por exemplo, é possível pedir o teste da proveta, que verifica o percentual de etanol anidro presente no combustível.

Também é recomendável observar o comportamento do veículo após o abastecimento. Se surgirem repentinamente falhas, engasgos, perda de potência, dificuldade para ligar ou funcionamento anormal logo depois de abastecer, o motorista deve evitar continuar utilizando o veículo sem verificar a causa.

Em caso de suspeita de combustível contaminado ou adulterado, é importante procurar uma oficina para avaliação e preservar a documentação do abastecimento.

O consumidor ainda pode denunciar suspeitas de irregularidades à ANP pelo telefone 0800 970 0267 ou pelos canais oficiais da Agência. As denúncias ajudam a direcionar as ações de fiscalização dos postos de combustíveis.

A principal recomendação, portanto, é não escolher o posto apenas pelo preço. Um combustível aparentemente mais barato pode representar um custo muito maior caso provoque falhas ou danos ao sistema do veículo.

A atenção no momento do abastecimento e a escolha de estabelecimentos confiáveis são medidas simples que ajudam a preservar tanto o motor quanto o bolso do motorista.


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