Técnico do Sesi Franca, tetracampeão do NBB, sai na frente após vitória de sua equipe sobre o Pinheiros no domingo, no Pedrocão
Helinho Garcia chega à sexta decisão do NBB CAIXA com o Sesi Franca em um momento que mistura continuidade e ambição.
O treinador busca o quinto título da carreira e reencontra Gustavinho De Conti em mais um capítulo de uma trajetória marcada por conquistas e protagonismo.
Existem trajetórias que se constroem com vitórias. Outras, com permanência. A de Helinho parece ter encontrado um raro equilíbrio entre as duas coisas.
Em um cenário de constantes mudanças e elencos reformulados, o técnico alcança sua sexta decisão — a quinta consecutiva — consolidando uma cultura vencedora.
Constante
Desde que assumiu o comando francano, Helinho transformou regularidade em identidade. Agora, diante do Pinheiros, tem a oportunidade de conquistar o quinto título nacional e se isolar como o treinador mais vitorioso da história do NBB CAIXA.
O primeiro passo já foi dado. No último domingo, o Sesi Franca venceu o Pinheiros por 82 a 73, no Pedrocão, e abriu vantagem na série decisiva.
Adversário
Do outro lado estará um adversário acostumado aos grandes palcos. Gustavinho De Conti, dono de três títulos da competição, representa mais um capítulo de um duelo entre treinadores que ajudaram a moldar o basquete brasileiro recente.
Antes de falar de tática, Helinho destaca o fator humano como base do sucesso.
“É indescritível, porque, em um campeonato tão equilibrado, você pegar uma equipe que faz cinco finais consecutivas, sendo que ganhou os últimos quatro campeonatos, mostra a consistência do trabalho dentro e fora de quadra. O sucesso é multifatorial”, afirmou o treinador.
Confiança e títulos
Talvez “consistência” seja mesmo a palavra que melhor traduza o momento do Sesi Franca. Não apenas pelas finais consecutivas, mas pela capacidade de seguir competitivo mesmo diante de adversidades, mudanças no elenco e lesões ao longo das temporadas.
A figura de Helinho à beira da quadra sintetiza isso: serenidade e intensidade na medida certa. Um técnico que conhece o clube como poucos.
Ídolo como jogador e agora protagonista como treinador, ele mantém uma relação quase orgânica com Franca — cidade onde o basquete ultrapassa o esporte e se conecta com a identidade local.
Ainda assim, a decisão promete alto grau de dificuldade. O Pinheiros chega embalado por um elenco jovem, intenso e sem receio de jogos grandes.
“O Pinheiros é uma equipe consistente, com alto volume de jogo. Tem jovens de altíssimo nível mesclados com atletas experientes. Em uma final, qualquer jogador pode decidir”, analisou Helinho.
Respeito mútuo
Do outro lado, Gustavinho reforça o peso do confronto. Os dois técnicos carregam respeito mútuo construído ao longo dos anos, inclusive na seleção brasileira.
“O Gustavinho dispensa comentários pela competência. Criamos uma amizade e um respeito ainda maior. Isso faz com que a gente trabalhe ainda mais para buscar o melhor”, disse.
A fala ajuda a dimensionar o que representa uma decisão de NBB. Não há acaso em campanhas tão consistentes. Há construção, insistência e capacidade de se reinventar.
Helinho reconhece isso e divide os méritos. “É fruto de muito trabalho. Não só meu, mas das comissões técnicas, atletas, diretoria. É um trabalho coletivo”, destacou.
Agora, mais uma vez, as luzes se voltam ao Pedrocão. O Sesi Franca está novamente no centro das decisões.
Não mais como surpresa. Nem apenas como campeão. Mas como um time que transformou permanência em grandeza — e que, mais uma vez, está a poucos passos de fazer história.