Embora o fenômeno seja claramente percebido em Franca, o cenário não se restringe ao município, mas em todo o país
Empresas de diferentes setores em Franca vêm enfrentando dificuldades para completar seus quadros de funcionários, especialmente em áreas tradicionais da economia local, como a indústria calçadista e o comércio. A falta de mão de obra disponível tem se tornado um desafio recorrente para empregadores, que relatam problemas para preencher vagas mesmo em períodos de retomada da atividade econômica.
Fábricas de calçados, lojas, empresas do setor de serviços e estabelecimentos comerciais estão entre os que mais sentem o impacto. Em muitos casos, processos seletivos permanecem abertos por semanas, com baixa procura ou alto índice de desistência por parte dos candidatos.
Mudança de hábitos
Um dos principais fatores apontados por empresários e especialistas em mercado de trabalho é o comportamento da geração mais jovem, que demonstra resistência ao modelo tradicional de contratação pela Consolidação das Leis do Trabalho. Entre gestores, é comum a avaliação de que parte desse público tem verdadeiro receio do vínculo formal, buscando alternativas consideradas mais flexíveis e com maior autonomia.
Na prática, cresce a procura por atividades como transporte por aplicativo, entregas com motocicleta, vendas pela internet, produção de conteúdo e monetização de redes sociais, além do interesse por carreiras ligadas à área de Tecnologia da Informação. Essas opções são vistas como formas de gerar renda sem a necessidade de cumprir jornadas fixas ou seguir rotinas corporativas tradicionais.
Tendência nacional
Embora o fenômeno seja claramente percebido em Franca, o cenário não se restringe ao município. A dificuldade para preencher vagas formais e a migração de trabalhadores para modelos alternativos de renda vêm sendo observadas em diversas regiões do país, configurando uma tendência nacional de transformação no perfil do trabalhador e na relação com o emprego formal.