Cirurgia a partir dos seis meses ajuda a evitar tumores, fugas e comportamentos ligados ao cio
A esterilização de gatos, também conhecida como castração, é um dos procedimentos mais indicados pela medicina veterinária moderna (Foto Arquivo)
A esterilização precoce em gatos é uma prática recomendada por veterinários: previne doenças hormonais, reduz comportamentos problemáticos e melhora a qualidade de vida do felino e do ambiente em que vive.
A esterilização de gatos, também conhecida como castração, é um dos procedimentos mais indicados pela medicina veterinária moderna.
Não se trata apenas de evitar ninhadas indesejadas, mas de uma decisão que impacta diretamente a saúde, o comportamento e o bem-estar geral do animal ao longo da vida.
Cirurgia a partir dos 6 meses
Segundo explica a veterinária Virginia Vallejo, realizar a cirurgia a partir dos seis meses de idade permite agir de forma preventiva sobre diversos riscos futuros.
A intervenção é segura, feita sob controle profissional e indicada tanto para fêmeas quanto para machos, com benefícios que vão muito além da questão reprodutiva.
Saúde hormonal e prevenção de doenças
No caso das gatas, a esterilização antes do primeiro cio é um fator-chave para reduzir drasticamente o risco de tumores mamários e outras patologias associadas ao sistema hormonal.
Evidências veterinárias indicam que, quando a cirurgia é adiada, a probabilidade de desenvolver esse tipo de tumor aumenta, e grande parte deles costuma ser maligna.
Nos gatos machos, a castração precoce ajuda a prevenir tumores testiculares e reduz a exposição a doenças infecciosas.
Quando não são esterilizados, muitos machos tendem a fugir em busca de fêmeas, o que aumenta brigas, ferimentos e o risco de contágio por doenças como a leucemia felina ou a chamada AIDS felina.
Comportamento: o que muda e o que não muda
Uma das contribuições mais visíveis da esterilização precoce está no comportamento. Nos machos, há redução da marcação de território com urina, das fugas e da agressividade associada à competição sexual. Nas fêmeas, evita os miados intensos e o estresse característicos do cio.
Um ponto central destacado pelos veterinários é que a personalidade do gato não muda. O animal continua sendo o mesmo — carinhoso, independente ou brincalhão, de acordo com seu temperamento. O que desaparece são comportamentos guiados pelo impulso hormonal, que muitas vezes dificultam a convivência dentro de casa.
O mito do sobrepeso após a cirurgia
Outro receio comum entre os tutores é o ganho de peso após a esterilização. Vallejo esclarece que a cirurgia em si não causa obesidade. O que ocorre é uma redução do gasto energético, já que o gato deixa de investir energia em comportamentos reprodutivos.
Por isso, o ponto-chave é ajustar a alimentação depois do procedimento: controlar as porções, escolher um alimento adequado e manter as brincadeiras e a atividade diária. Com uma dieta bem planejada, o gato esterilizado pode manter um peso saudável sem dificuldades.