Espécies ornamentais comuns que existem em canteiros podem causar intoxicação grave em cães e gatos durante os passeios
Levar o pet para um passeio costuma ser um dos momentos mais esperados do dia — tanto pelo tutor quanto pelo animal. Caminhar, brincar e explorar o ambiente faz parte de uma rotina saudável.
No entanto, entre flores e folhagens que enfeitam praças e calçadas, pode estar escondido um risco invisível: as plantas ornamentais tóxicas. Muitas delas, comuns em áreas urbanas, podem causar graves intoxicações se forem mastigadas ou ingeridas.
De acordo com a médica-veterinária Kelly Venâncio de Oliveira Muniz, docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), a presença dessas espécies em locais públicos e jardins residenciais é mais perigosa do que se imagina.
“É cada vez mais comum que cães e gatos tenham contato com plantas ornamentais durante os passeios. O problema é que boa parte delas, apesar da aparência inofensiva, contém substâncias tóxicas capazes de provocar desde simples irritações até falência renal ou neurológica”, alerta.
Ambiente urbano
A especialista, que atua nas áreas de Nefrologia e Urologia Veterinária, explica que a maioria dos casos de intoxicação ocorre justamente em ambientes domésticos e urbanos.
“O tutor geralmente não sabe que aquela planta é perigosa. Quando o acidente acontece, o tempo de reação é determinante para a recuperação do animal”, afirma.
Prevenção começa no passeio
Durante as caminhadas, manter o pet na guia e sob observação constante é essencial. A médica-veterinária orienta que cães e gatos não devem ser deixados livres para cheirar ou morder plantas desconhecidas.
“Evite que o animal mastigue folhas ou flores durante o passeio e ensine comandos simples, como ‘não’ ou ‘solta’, para interromper rapidamente qualquer tentativa de ingestão”, recomenda Kelly.
Ela também destaca a importância de orientar familiares e vizinhos sobre os riscos — especialmente em condomínios e áreas compartilhadas.
O que fazer se o animal ingerir uma planta
Em caso de suspeita de intoxicação, a primeira atitude deve ser procurar imediatamente um veterinário.
“Jamais provoque o vômito em casa. Alguns compostos químicos podem causar queimaduras adicionais ao voltarem pelo trato digestivo”, alerta a especialista.
De acordo com uma notícia do Canal do Pet, outra recomendação é evitar qualquer tipo de remédio caseiro.
“Eles podem agravar o quadro clínico. O ideal é levar o pet o quanto antes a um profissional e, se possível, apresentar uma amostra da planta ou uma foto para facilitar o diagnóstico” , acrescenta.
As 10 plantas mais perigosas para os pets
Veja uma lista das espécies mais comuns em jardins e calçadas brasileiras que representam perigo para cães e gatos, segundo a docente:
Comigo-ninguém-pode – Contém cristais de oxalato de cálcio, que causam irritação intensa na boca e garganta, salivação excessiva e inchaço.
Lírios — Altamente tóxicos para gatos; pequenas quantidades podem provocar insuficiência renal aguda.
Espada-de-São-Jorge — Possui saponinas que irritam o trato gastrointestinal, causando náusea e diarreia.
Azaleia — Suas grayanotoxinas afetam o sistema cardiovascular, podendo causar arritmias e convulsões.
Mamona — A ricina é uma das toxinas naturais mais potentes, provocando dores intensas e podendo levar à morte.
Espirradeira— Os glicosídeos presentes na planta são cardiotóxicos e podem causar parada cardíaca.
Hortênsia — Libera cianeto durante a digestão, o que compromete a respiração celular.
Copo-de-leite — O oxalato de cálcio causa dor e inflamação oral, com salivação e vômitos.
Bico-de-papagaio — A seiva leitosa irrita mucosas e pele, provocando dermatite e conjuntivite.
Manacá-de-jardim — Contém substâncias neurotóxicas que podem causar tremores e convulsões.
Informação é a melhor proteção
Kelly reforça que o conhecimento é a principal ferramenta de prevenção.
“A beleza dessas plantas não compensa o risco. Se você tem um pet em casa, verifique antes de plantar ou manter qualquer espécie ornamental. E, durante os passeios, redobre a atenção. Pequenos cuidados podem evitar grandes sustos” , conclui.