Medida dos EUA afeta exportadores de todo o Brasil; indústria de Franca teme prejuízos e perda de mercado
Os calçados brasileiros ficaram de fora da lista de exceções e estão entre os produtos que serão impactados pelo novo tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em uma Ordem Executiva assinada nesta quarta-feira e que entrará em vigor a partir do próximo dia primeiro, Trump determinou a elevação de 50% nas tarifas de importação sobre diversos itens vindos do Brasil, e os calçados, tradicionalmente fortes nas exportações para o mercado norte-americano, não escaparam da medida.
O decreto inclui uma lista de exceções a ser poupada da taxação, mas os calçados brasileiros não figuram entre os favorecidos. A decisão já preocupa a cadeia produtiva nacional, especialmente em Franca, uma das principais cidades exportadoras de calçados masculinos para os Estados Unidos.
Com forte dependência do mercado americano, muitas indústrias francanas avaliam que a nova tarifa pode inviabilizar as vendas para o exterior.
Em 2024, segundo dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), o Brasil exportou mais de dez milhões de pares para os EUA, com Franca sendo responsável por quase 30% desse volume. O impacto da decisão de Trump, portanto, deve ser sentido em larga escala.
A medida, que faz parte de uma estratégia protecionista do governo norte-americano, visa fortalecer a indústria doméstica.
Porém, especialistas avaliam que o efeito colateral será especialmente severo para países emergentes com forte vocação exportadora, como o Brasil.
O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre possíveis retaliações comerciais ou medidas de compensação para os exportadores afetados. Enquanto isso, a apreensão cresce entre empresários e trabalhadores do setor calçadista.