Cresce a abertura de empresas no Brasil e isso mostra a força dos empreendedores

  • Robson Leite
  • Publicado em 18 de abril de 2026 às 11:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Apesar do ritmo acelerado de abertura, quase metade das micro e pequenas empresas fecha por falhas no planejamento financeiro

Só no primeiro trimestre de 2025 foram criadas mais de 1,4 milhão de empresas no Brasil. Dessas, 78% correspondem a microempreendedores individuais (MEIs), segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Os números vêm na esteira de um recorde registrado no ano anterior, quando 4,16 milhões de pequenos negócios foram abertos.

De acordo com os dados mais recentes do “Mapa de Empresas”, divulgado pelo governo, o Brasil mantém 21,7 milhões de empresas ativas, das quais 93,6% são micro ou pequenas.

O crescimento foi de 9,9% entre 2023 e 2024. MEIs representam 74,4% das novas empresas, microempresas, 21%; e empresas de pequeno porte, 4,6%.

Quase metade das empresas fecha as portas

Quase metade (48%) das micro e pequenas empresas encerra suas atividades por problemas relacionados ao planejamento financeiro inadequado e à gestão deficiente do fluxo de caixa, aponta o Sebrae.

Para evitar esse desfecho, a Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) recomenda que os empreendedores separem o dinheiro pessoal dos recursos da empresa.

Para isso, podem utilizar uma conta corrente digital exclusiva para o negócio desde a abertura, já que a prática permite visualizar com clareza a saúde financeira da empresa e simplifica a gestão do fluxo de caixa.

Além dessa orientação, o Sebrae sugere que a criação de uma empresa seja dividida em quatro pilares: definição estratégica, organização financeira, estruturação operacional e rotinas de gestão.

Potencial do negócio

Ainda conforme as informações do Sebrae, o primeiro passo na estruturação de um negócio consiste em identificar qual problema a empresa resolve e quantas pessoas são afetadas por ele. O potencial de faturamento está diretamente ligado ao tamanho desse público.

Abefin e Sebrae alertam que o controle financeiro exige conhecimento dos custos fixos, como aluguel, e dos custos variáveis, caso de impostos e matéria-prima. Uma possibilidade é utilizar cartões digitais diferentes para categorizar despesas e facilitar o acompanhamento por centro de custo.

Outra sugestão é guardar uma reserva de segurança que sustente os custos fixos durante quedas no faturamento. Parte dos lucros também deve ser destinada ao desenvolvimento do negócio, seja através da compra de equipamentos, melhorias na estrutura ou ampliação das operações.

O que destaca o negócio

O Sebrae reforça que, no marketing do negócio, três elementos se destacam: conhecimento do mercado, escolha dos canais de divulgação e criação de mensagens que sejam eficientes.

A recomendação é testar diferentes formatos até reduzir o custo de aquisição de cada cliente. Chegando até aqui, é preciso trabalhar a fidelização. Aqueles que são fiéis geram receita recorrente e indicam novos compradores, sem a necessidade de custos adicionais.

Abertura de uma empresa pode sair de graça, mas capital inicial exige planejamento

Abrir uma empresa formalmente no Brasil exige investimentos que variam bastante, conforme o modelo de negócio escolhido.

O MEI é a porta de entrada mais acessível: a abertura não tem custo e, mensalmente, o empreendedor paga uma contribuição chamada DAS, que fica em torno de R$ 75, segundo o Ministério da Previdência Social.

O setor de atuação é um dos principais definidores do quanto será necessário investir no começo. Negócios físicos costumam exigir mais recursos.

Segundo o Sebrae, a categoria de serviços lidera a abertura de empresas com 61% do total. Comércio responde por 25,1%, Indústria por 7,9% e Construção por 7%. As atividades mais comuns são cabeleireiro, comércio varejista de vestuário e obras de alvenaria.

Setores concentram as maiores oportunidades para 2026

Cada vez mais, os consumidores querem praticidade, saúde e impacto positivo no meio ambiente. Os setores de produtos sustentáveis, bem-estar e serviços digitais devem concentrar as maiores oportunidades de crescimento em 2026.

O movimento faz parte de uma mudança no comportamento do consumidor, que investe mais em experiências adaptadas à rotina e formatos de compra mais flexíveis.

Diferentes estudos apontam seis grandes áreas com oportunidades de negócios. A sustentabilidade lidera com consultorias em carbono, estações de recarga elétrica e produção de biogás.

A tecnologia vem logo atrás: plataformas que usam Inteligência Artificial para gerenciar resíduos industriais, drones para agricultura de precisão e impressoras 3D para construção civil crescem rápido.

Setores em alta

A área da saúde também se expande: telemedicina especializada, aplicativos de prevenção, relógios que monitoram sinais vitais e nutrição personalizada por DNA atendem tanto quem busca qualidade de vida quanto o público acima de 60 anos.

Outro setor que se reinventa é o turismo, com foco em experiências imersivas, roteiros de ecoturismo e plataformas que montam viagens sob medida.

A alimentação une tecnologia e sustentabilidade: hortas verticais nas cidades, produtos à base de plantas e até mesmo rastreamento da origem dos alimentos atraem consumidores preocupados com o impacto ambiental.

Já o setor de educação, também em alta, aposta em cursos on-line especializados, treinamento corporativo com realidade virtual e escolas voltadas para habilidades socioemocionais – competências cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho.

O Sebrae alerta que inovar não significa gastar muito, basta repensar processos e adotar soluções simples que melhorem o atendimento ao cliente.


+ Economia