Muita gente encontra conforto na lâmpada acesa de um abajur, uma luminária ou mesmo na luz do quarto inteiro na hora de dormir, mas isso é ruim
Muita gente recorre a algum tipo de luz acesa na hora de dormir e isso é ruim – foto Shutterstock
A escuridão pode ser assustadora, e muita gente encontra conforto na lâmpada acesa de um abajur, uma luminária ou mesmo na luz do quarto inteiro na hora de dormir.
Acontece que o escuro da noite é também determinante para a qualidade de nosso sono. O excesso de luminosidade durante a noite, ou mesmo horas antes de irmos dormir, pode impactar negativamente o descanso e nossa saúde.
Um estudo realizado recentemente nos EUA buscou compreender justamente a forma como a luz pode afetar nossa biologia enquanto dormimos.
A pesquisa trabalhou com jovens adultos e saudáveis na hora de dormir – e os resultados foram contundentes sobre a importância do escuro.
Os estímulos da luminosidade regulam o relógio biológico do cérebro, através do núcleo supraquiasmático, grupo de neurônios do hipotálamo media que recebe a informação através dos olhos, para cuidar do ritmo circadiano do corpo – e determinar a hora do descanso a partir da secreção de melatonina.
Phyllys Zee é neurologista e também diretora do Center For Circadian and Sleep Medicine, centro especializado na medicina do sono na Universidade de Medicina de Feinberg, em Chicago, nos EUA, e o estudo que conduziu reuniu grupos de participantes dormindo com a luz baixa, similar à luminosidade do crepúsculo e, em outra noite, com a luz acesa.
Um grupo de controle dormiu as duas noites com a luz próxima ao escuro total. Apesar de os participantes dos dois grupos terem afirmado que dormiram bem, os registros das atividades cerebrais e cardiológicas ilustraram noites de sono radicalmente distintas.
Os registros neurológicos de quem dormiu com a luz acesa mostraram um tempo consideravelmente menor no período REM, quando acontece o descanso profundo, e exames de sangue confirmaram que uma única noite com a luz intensa aumentou a resistência à insulina do corpo, determinante para o nível de açúcar no sangue.
O mais extremo, porém, foram os resultados das medições cardíacas: segundo a especialista, a frequência cardíaca de quem dormiu com a luz acesa permaneceu alta pela noite inteira.
Os resultados sugerem, portanto, que nosso corpo é capaz de perceber e reagir à luminosidade mesmo com os olhos fechados, mantendo o corpo em estado próximo ao alerta, como se estivesse sempre prestes a despertar.
“A luz tem o poder de sincronizar nossos ritmos e, na hora errada, de dessincronizá-los”, afirmou Zee, em reportagem do jornal The Washington Post.
O desalinhamento de nosso ciclo circadiano é capaz de provocar distúrbios graves de sono, de humor, disfunções metabólicas e até ampliar riscos de doenças como diabetes e câncer.
Como ‘melhorar’ o escuro
As recomendações para quem não consegue criar a escuridão total em seu quarto, incluem reduzir a exposição às luzes artificias de computadores, smartphones e mesmo dos ambientes algumas horas antes de dormir, bem como aplicar recursos como janelas fechadas e cortinas para escurecer o quarto de dormir, e usar máscaras que cubram os olhos.
Outra dica importante é se expor ao máximo à luz do sol na hora certa, durante o dia, como forma de regular o relógio biológico a reconhecer corretamente a queda de luz, e compreender a chegada da hora de dormir.