Dormir de luz acesa faz mal: estudo aponta a importância do escuro para nossa saúde!

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 7 de dezembro de 2022 às 22:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Muita gente encontra conforto na lâmpada acesa de um abajur, uma luminária ou mesmo na luz do quarto inteiro na hora de dormir, mas isso é ruim

Muita gente recorre a algum tipo de luz acesa na hora de dormir e isso é ruim – foto Shutterstock

 

A escuridão pode ser assustadora, e muita gente encontra conforto na lâmpada acesa de um abajur, uma luminária ou mesmo na luz do quarto inteiro na hora de dormir.

Acontece que o escuro da noite é também determinante para a qualidade de nosso sono. O excesso de luminosidade durante a noite, ou mesmo horas antes de irmos dormir, pode impactar negativamente o descanso e nossa saúde.

Um estudo realizado recentemente nos EUA buscou compreender justamente a forma como a luz pode afetar nossa biologia enquanto dormimos.

A pesquisa trabalhou com jovens adultos e saudáveis na hora de dormir – e os resultados foram contundentes sobre a importância do escuro.

Os estímulos da luminosidade regulam o relógio biológico do cérebro, através do núcleo supraquiasmático, grupo de neurônios do hipotálamo media que recebe a informação através dos olhos, para cuidar do ritmo circadiano do corpo – e determinar a hora do descanso a partir da secreção de melatonina.

Phyllys Zee é neurologista e também diretora do Center For Circadian and Sleep Medicine, centro especializado na medicina do sono na Universidade de Medicina de Feinberg, em Chicago, nos EUA, e o estudo que conduziu reuniu grupos de participantes dormindo com a luz baixa, similar à luminosidade do crepúsculo e, em outra noite, com a luz acesa.

Um grupo de controle dormiu as duas noites com a luz próxima ao escuro total. Apesar de os participantes dos dois grupos terem afirmado que dormiram bem, os registros das atividades cerebrais e cardiológicas ilustraram noites de sono radicalmente distintas.

Os registros neurológicos de quem dormiu com a luz acesa mostraram um tempo consideravelmente menor no período REM, quando acontece o descanso profundo, e exames de sangue confirmaram que uma única noite com a luz intensa aumentou a resistência à insulina do corpo, determinante para o nível de açúcar no sangue.

O mais extremo, porém, foram os resultados das medições cardíacas: segundo a especialista, a frequência cardíaca de quem dormiu com a luz acesa permaneceu alta pela noite inteira.

Os resultados sugerem, portanto, que nosso corpo é capaz de perceber e reagir à luminosidade mesmo com os olhos fechados, mantendo o corpo em estado próximo ao alerta, como se estivesse sempre prestes a despertar.

“A luz tem o poder de sincronizar nossos ritmos e, na hora errada, de dessincronizá-los”, afirmou Zee, em reportagem do jornal The Washington Post.

O desalinhamento de nosso ciclo circadiano é capaz de provocar distúrbios graves de sono, de humor, disfunções metabólicas e até ampliar riscos de doenças como diabetes e câncer.

Como ‘melhorar’ o escuro

As recomendações para quem não consegue criar a escuridão total em seu quarto, incluem reduzir a exposição às luzes artificias de computadores, smartphones e mesmo dos ambientes algumas horas antes de dormir, bem como aplicar recursos como janelas fechadas e cortinas para escurecer o quarto de dormir, e usar máscaras que cubram os olhos.

Outra dica importante é se expor ao máximo à luz do sol na hora certa, durante o dia, como forma de regular o relógio biológico a reconhecer corretamente a queda de luz, e compreender a chegada da hora de dormir.

*Informações Hypeness


+ Bem-estar