Defasagem da tabela do IR chega a 144,1%. Se a correção fosse integral, o piso de isenção passaria de R$ 1,9 mil para R$ 4,6 mil
Mesmo com a queda na inflação em setembro, a defasagem da tabela do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) continua elevada e chegou a 144,1% no acumulado desde 1996, descontando os reajustes realizados nesse período, conforme cálculo feito pela Unafisco Nacional e divulgado na terça-feira (11).
O limite para isenção do IRPF, de R$ 1.903,98, não é corrigido desde 2015, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Se a correção integral da defasagem fosse aplicada, esse limite deveria ser de R$ 4.647,96, lembrou o presidente da Unafisco, Mauro Silva.
Atualmente, existem 34,6 milhões de contribuintes prestando declarações ao Fisco, e 7,6 milhões de pessoas são isentas com o piso atual.
Número de isentos
Se a correção integral fosse aplicada, o número de isentos chegaria a 24,5 milhões e o governo deixaria de arrecadar R$ 184,3 bilhões por ano.
De acordo com notícia do Correio Braziliense, Mauro Silva lembrou que, para cada ponto percentual a mais na inflação anual, o governo arrecada R$ 2 bilhões a mais sem a correção da tabela do Imposto de Renda.
Se fosse aplicada a correção parcial proposta pelo atual governo, de 29,58% no piso de isenção, para R$ 2.467,25 — abaixo da promessa de campanha de isentar quem ganhasse até R$ 5 mil — a perda de arrecadação anual seria de R$ 61,2 bilhões.