Quem tem medo de escuro ou simplesmente não gosta do breu completo pode ter motivos maiores para se preocupar na hora de dormir
Mesmo a luz de baixa intensidade pode ser prejudicial à saúde
Quem tem medo de escuro ou simplesmente não gosta do breu completo pode ter motivos maiores para se preocupar na hora de se deitar: um estudo recente concluiu que dormir com a luz acesa pode aumentar o risco de desenvolvimento de problemas cardíacos e diabetes.
Intitulado, em tradução livre, “Exposição à luz durante o sono prejudica as funções cardiometabólicas”, o estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences e, avaliando a frequências cardíaca de jovens saudáveis, concluiu que mesmo uma luz de baixa intensidade acesa aumenta a frequência cardíaca durante o noite e prejudica a qualidade do sono, podendo piorar funcionamentos importantes de nosso metabolismo e agravar nossa saúde em longo prazo.
Em resumo, a luz acesa impede o pleno descanso do corpo, prejudicando o funcionamento cardiovascular e aumentando as chances de resistência à insulina, que pode levar ao desenvolvimento de diabetes.
“Os resultados deste estudo demonstram que apenas uma única noite de exposição à iluminação moderada durante o sono pode prejudicar a glicose e a regulação cardiovascular, que são fatores de risco para doenças cardíacas, diabetes e síndrome metabólica”, afirmou Phyllis Zee, chefe de medicina do sono da Escola Feinberg de Medicina, na Northwestern University, nos EUA, e autor sênior do estudo.
A pesquisa avaliou o sono de 20 adultos saudáveis, com idade média de 26 anos, divididos em dois grupos randômicos: um dormindo por duas noites sob luz moderada, a 100 lux de intensidade luminosa, e outro sob luz fraca, a 3 lux de intensidade.
Os resultados mostraram que, embora os dois grupos tenham apresentado níveis semelhantes de melatonina, hormônio relacionado ao sono, quem dormiu com a luz de intensidade moderada acesa entrou em um estado de alerta mais intenso, conhecido como ativação simpática, no qual se eleva a frequência cardíaca, em efeito semelhante ao que ocorre durante o dia, quando somos expostos à luz, através de ativação em nosso sistema nervoso.
“Nossos resultados indicam que um efeito semelhante também está presente quando a exposição à luz ocorre durante o sono noturno”, afirmou Zee.
Segundo o médico, a resistência à insulina foi registrada pela manhã, entre os participantes que dormiram em sala mais iluminada durante o experimento.
A primeira conclusão da pesquisa, portanto, recomenda a escolha por ambientes escuros para a hora de dormir: o relógio biológico é diretamente afetado pela luz para controlar os ritmos e práticas fisiológicas de nossos metabolismos.
“Essas descobertas são importantes principalmente para aqueles que vivem em sociedades modernas, onde a exposição à luz noturna interna e externa é cada vez mais difundida”, conclui Zee.
Trata-se, no entanto, de uma pesquisa com amostra pequena, que ainda carece de experimentos em maior escala para compreender de forma mais profunda e inequívoca a dimensão do impacto da luz sobre a qualidade de nosso sono – e, assim, sobre nossa saúde de modo geral.