Professor universitário de física da UFTM é morto por esposa e enteada

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  • Publicado em 1 de junho de 2016 às 12:41
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 17:47
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Corpo de Milton Taidi Sonoda, de 39 anos, foi encontrado carbonizado dentro de carro em São Carlos (SP)

Milton Sonoda era professor de Física na UFTM, em Uberaba, e tinha 39 anos (Foto: Reprodução Facebook)

​Um caso repleto de atrocidade e frieza chocou até mesmo a polícia do interior paulista. O professor de Física da UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG), Milton Taidi Sonoda, de 39 anos, foi assassinado pela esposa, uma advogada de 36 anos, e pela enteada, de 17 anos.

O crime aconteceu no dia 18 de maio, por volta das 10h30, em São Carlos (SP), cidade onde a família reside.

Segundo informações do delegado do caso, Gilberto de Aquino, a vítima foi dopada pela enteada antes de ser morta, já que estava meio desacordada quando foi golpeada com facadas pelo menos por 3 vezes na altura da barriga, caindo no chão da sala e agonizando por 10 minutos até morrer.

Para o delegado, as criminosas teriam ainda dopado o filho do casal de 5 anos para que ele dormisse enquanto elas escondiam o corpo. Mãe e filha saíram para comprar uma pá e sacos plásticos. Ao voltarem, embalaram o corpo do professor e prenderam com fita crepe. Manobraram o carro de ré na garagem e colocaram o corpo no veículo. Feito isso, seguiram até o km 148 da Rodovia Luís Augusto de Oliveira (SP-215), onde atearam fogo no carro com o corpo dentro. “Elas viram que ficariam vestígios, pois havia impressões digitais de ambas e, como a viúva é advogada e tem conhecimento jurídico, decidiram atear fogo no veiculo”, disse o delegado.

Nesse local, o automóvel com o corpo de Milton Sonoda foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros à noite, em chamas.

Carro com o corpo do professor universitário foi incendiado para despistar a polícia (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Apesar disso, somente nesta terça-feira, 31, mãe e filha foram detidas pela Polícia Civil em São Carlos (SP), por suspeita de terem planejado o crime e matado a vítima por motivo financeiro. Em depoimento, a viúva, uma advogada de 36 anos, negou o crime e disse que ajudou apenas a ocultar o cadáver. A filha dela, de 17, assumiu que matou o padrasto com três facadas em casa, enquanto o irmão de 5 anos assistia à TV no quarto. Ambas não demonstraram arrependimento em nenhum momento, segundo delegado, que adiantou que não fará a reconstituição do crime porque as provas deixam claro o envolvimento de ambas. A mãe, que está presa temporariamente por 30 dias, será indiciada pelo crime de homicídio duplamente qualificado combinado com corrupção de menores e ocultação de cadáver. Se condenada, pode pegar de 12 a 30 anos de reclusão.

Já a filha, detida por 45 dias, responderá por ato infracional pelos mesmos crimes e, se condenada, ficará na Fundação Casa no máximo até os 21 anos. As duas foram levadas para a Cadeia Feminina de Ribeirão Bonito.

O que está por trás de tudo

Milton Taidi Sonoda, de 39 anos, era graduado e mestre pela USP –  Universidade de São Paulo em São Carlos e lecionava na UFTM – Universidade Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba (MG).

A motivação do crime, segundo  a investigação da DIG – Delegacia de Investigações Gerais, seria financeira. Mãe e filha planejavam a morte do professor há três meses. Milton tinha uma certa quantia em dinheiro que investia na reforma de uma casa em Uberaba, onde a família passaria a morar, mas sua esposa não comungava do mesmo desejo e como ele estaria gastando todo o dinheiro, a reserva que eles tinham em caixa, ela estava bem descontente. E para não ficar sem dinheiro, a mulher planejou a morte do marido.

No dia do crime, a viúva contou à polícia que a vítima saiu atrás de um caminhoneiro para fazer a mudança. Afirmou ainda que, depois, o marido passaria na USP para se despedir de amigos e, por fim, iria comprar maconha para consumo próprio. “Ela deu três afirmativas que nós fomos checar e nenhuma delas estava batendo”, disse o delegado.

Desde o crime, a mulher era a principal suspeita, de acordo com o delegado, que percebeu que tanto ela quanto a filha eram evasivas quando questionadas. A própria família da vítima, no dia em que foi fazer o reconhecimento do corpo, desconfiava da versão apresentava pela viúva.

A menor em nenhum momento demonstrou arrependimento e contou todos os detalhes.


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