Ô ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR

Fevereiro 2018 – 83 anos da morte de Chiquinha Gonzaga

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“A Chiquinha Gonzaga que emerge no cenário musical do Rio de Janeiro em 1877, após desilusão amorosa, maldição familiar, condenações morais e desgostos pessoais é uma mulher que precisa sobreviver do que sabia fazer: tocar piano. Ninguém ousara tanto. Praticar música ao piano, ou até mesmo compor e publicar, não era incomum às senhoras de então, mas sempre mantendo o respeito ao espaço feminino por excelência, o da vida privada. A profissionalização da mulher como músico (e ainda mais aquele tipo de música de dança para consumo nos salões!) era fato inédito na sociedade da época. A atividade exigia talento, determinação e coragem – qualidades que não lhe faltavam”.

http://chiquinhagonzaga.com/wp/biografia/

A biografia desta mulher é algo de impressionar!

Pelo talento? Sim, claro, suas músicas são de especial toque na História da Música do Brasil!

Mas especialmente por sua coragem! Mulheres corajosas mudam a história!

E falando sobre coragem, estava lendo sobre comportamento de crianças num site de psicologia. Professores precisam estar antenados para compreenderem quem são seus alunos, do que precisam, porquê não evoluem às vezes ou porquê são bem sucedidos e dar sequência no trabalho. A música mostra os comportamentos e ajuda a transpor barreiras.

Pois bem, nesta leitura apareceram 3 casos de crianças que sofreram abusos de adultos na infância. Uma foi do tio que dizia amá-la incondicionalmente e queria que ela sentisse com ele todos os prazeres da vida. A outra do próprio pai, antes dos 3 anos de idade, relatos feitos pela mãe, onde o pai amava tanto a filha e ela a ele que as almas se encontraram independente da idade ( oi ? ) , e outro caso onde a menina era molestada todas as noites pelo pai quando a colocava na cama para dormir e isso durou até a menina ficar menstruada, vindo desde os 3 anos de idade.

A psicóloga que trata destas pessoas, crianças que hoje são adultas, relata o que existe de comum entre elas :

  • todas se tornaram submissas aos homens e não conseguem reagir ao menor desconforto seja sexualmente ou na própria convivência diária.
  • . Todas sem exceção ( ela cita estes 3 casos mas trata de várias adolescentes numa instituição que também passaram pelo mesmo problema) se tornaram mulheres escravas , auto-punitivas, acham que não merecem ser felizes e tem que exercer qualquer função que as faça sofrer bastante. Meu Deus! Por que isso? O que acontece na mente de uma pessoa que sofreu abuso sexual ? Por que esta auto-sabotagem, estas chicotadas em si mesma?
  • Das 3 adultas citadas, todas são divorciadas e foram muito infelizes no casamento. Tinham em mente a idealização daquele homem que as ‘ acariciou ‘ quando ainda eram crianças. Não conseguiram se tornar adultas e reagirem ou agirem como mulheres independentes. Tornaram-se carentes afetivamente porque ninguém preencheu os quesitos daquele homem da sua infância. Uma delas se casou 3 vezes e nos 3 relacionamentos fugiu do parceiro depois de determinado tempo pois sentia nojo com o ato sexual.

Sem mais comentários, que se tornam desnecessários mediante tamanho sofrimento que destas mulheres, deixo a mensagem do CARNAVAL DE CHIQUINHA GONZAGA: OH ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR !

Bendita Lei Maria da Penha que mesmo não funcionando 100%, ela inibe alguns pelo menos.

Bendita consciência da mulher atual que não se permite ser abusada.

MAS FICA O ALERTA :  UMA CRIANÇA DE 3 ANOS DE IDADE PODERÁ REAGIR ?  SABERÁ O QUE ESTÁ ACONTECENDO ?  - NUNCA ! SERÁ TOTALMENTE VULNERÁVEL AO  ‘ AMOR ‘  DE UM ADULTO QUE NÃO SABE RESPEITAR A INOCÊNCIA DE UMA CRIANÇA!

Chiquinha Gonzaga!  Obrigada pelo seu exemplo de CORAGEM!

E esta CORAGEM da mulher precisa ser preservada na inocência da criança! Uma criança molestada perde a coragem para sempre e se torna joguete nas mãos das pessoas. É um dano irreparável na sua formação de caráter e domínio das emoções.

“Como autora de músicas de sucesso, sobretudo pela divulgação nos palcos populares do teatro musicado, Chiquinha Gonzaga sofreu exploração abusiva de seu trabalho, o que fez com que tomasse a iniciativa de fundar, em 1917, a primeira sociedade protetora e arrecadadora de direitos autorais do país, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat).

Edinha Diniz, 2011  Autora da biografia Chiquinha Gonzaga: uma história de vida.

*Esta coluna é semanal e atualizada aos domingos.