Nutricionista explica como alguns produtos ultraprocessados podem se passar por saudáveis e como substituí-los por boas opções
Apesar do aspecto visual saudável e destinado ao público infantil, alguns alimentos enganam bastante – foto Just Real Moms
Que atire a primeira pedra, a mãe que nunca ouviu o filho pedindo alguma comidinha com embalagem cheia de desenhos de animais, personagens, frutinhas e cores que remetem à natureza.
Apesar de trazerem um aspecto visual de produto saudável, a verdade é que muitas das opções vendidas nos mercados com apelo infantil não fazem bem para a saúde das crianças.
“Infelizmente, muitos alimentos consumidos diariamente por crianças são percebidos pelos pais como saudáveis, mas, na verdade, entram na categoria dos ultraprocessados, ou seja, produtos que passaram por muitas etapas industriais com excesso de sal, açúcar, óleos, gorduras, e contêm aditivos, corantes, aromatizantes e conservantes que não são utilizados em casa”, explica Ana Carolina Ardite Alves Donan, nutricionista e gerente de Relacionamento Médico da Papapá.
“Esses produtos acabam sendo consumidos com frequência porque transmitem uma imagem de praticidade e, por vezes, saudabilidade, mas é preciso estar atento ao que realmente está por trás do rótulo”, completa.
Alimentos que parecem saudáveis, mas não são
Afinal, quais são os itens mais fáceis de serem confundidos? Os principais, segundo a profissional, são:
– Iogurtes infantis com sabores e corantes do tipo petit suisse, que têm grande concentração de açúcar; – Sucos de caixinha, mesmo aqueles “100% fruta”, que carecem de fibras e, por vezes, ainda contêm aditivos ou açúcares escondidos; – Biscoitos “infantis”, que costumam conter farinhas refinadas, açúcares e emulsificantes ou aqueles com apelo de Biscoito Integral, porém com baixo teor de fibras. – Cereais matinais, que apesar do apelo “enriquecido com vitaminas”, geralmente têm alto teor de açúcar e corantes; – Bolinhos embalados, que levam estabilizantes, conservantes, açúcar em alta concentração e outras substâncias não são utilizadas em preparações caseiras.
Como saber se o alimento é saudável ou não?
O primeiro passo é olhar com atenção a lista de ingredientes. “Muitas vezes, um produto é vendido como natural ou integral, mas traz uma composição extensa, com substâncias que não fazem parte da alimentação feita em casa”, alerta Ana Carolina.
O que você precisa fazer ou saber antes das compras:
Observe se os ingredientes são simples e fáceis de identificar como: frutas, cereais e óleos vegetais;
Evite a presença de açúcares escondidos, identificando termos como: maltodextrina, xarope de glicose, dextrose, sacarose, etc;
Escolha alimentos que não contenham corantes e aromatizantes artificiais ou estabilizantes. Geralmente com nomes complicados, como inosinato dissódico, nitrito de sódio, etc.
Quanto menor for a lista de ingredientes, melhor;
O primeiro ingrediente listado é, de fato, aquele mais prevalente no produto. Por exemplo, em um pão integral, espera-se que o primeiro ingrediente seja: “farinha integral” em vez de “farinha de trigo”.
“Outro ponto importante é lembrar que selos e chamadas na embalagem nem sempre garantem qualidade nutricional. Frases como ‘rico em fibras’ ou ‘com vitaminas’ não excluem a possibilidade de o produto ser ultraprocessado”, complementa a nutricionista.
Melhores substituições para a alimentação das crianças
Quando se fala em alimentação infantil, Ana Carolina indica que o foco deve estar na qualidade dos ingredientes e no cuidado com os excessos.
“Nem todo alimento industrializado é igual. Portanto, o importante é saber o que está por trás de cada rótulo.”
Segundo ela, pequenas escolhas no dia a dia podem ajudar a reduzir o consumo de ultraprocessados e contribuir para uma dieta mais nutritiva.
Algumas substituições simples podem ser:
– No lugar de iogurtes adoçados ou cheios de aditivos, buscar versões com ingredientes sem açúcar adicionado ou mais naturais com menos ingredientes;
– Oferecer biscoitos na hora do lanche, mas desde que sejam aqueles preparados com ingredientes simples e conhecidos. “Prefira os sem adição de açúcar para crianças menores de 2 anos ou preparos caseiros, em porções individuais, como bolinhos simples de banana e aveia.”
– Fugir dos excessos de açúcar e corantes dos cereais matinais apostando na aveia ou misturas com grãos variados, sem adição de açúcar.
“O importante é oferecer alimentos que respeitem o desenvolvimento do paladar infantil e não acostumem a criança ao excesso de açúcar, sal e aditivos desde cedo”, complementa a nutricionista.