Na América Latina, de 400 instituições avaliadas, Universidade Estadual Paulista vai da 34ª para 29ª posição
Um pioneiro na publicação do World University Rankings, o Quacquarelli Symonds (QS) lançou o BRICS University Rankings 2019 no último dia 17 de outubro, com mais de 400 universidades dos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A sigla BRICS foi cunhada em 2001 como uma maneira de descrever as cinco economias em crescimento no mundo naquele momento. O ranking regional BRICS existe desde 2013 e foi desenvolvido pela QS em colaboração com a agência de notícias russa Interfax. Surgiu do desejo de destacar e acompanhar melhor os progressos realizados em cada um dos cinco países do BRICS no campo da educação superior e facilitar a comparação de universidades em nações que compartilham de semelhante dinâmica socioeconômica.
Sobre o ranking QS BRICS edição 2019, foi observado um aumento de mais de 100 instituições de ensino superior, das quais o Brasil teve a segunda maior entrada: foram 29 ingressantes. Dentre os países participantes, o Brasil é o terceiro em contingente, ficando atrás de Índia e Rússia. A Figura 1 mostra a distribuição das universidades avaliadas em 2017 e 2018.
Figura 1 – Distribuição das universidades avaliadas em 2017 e 2018
É interessante destacar que a Unesp assumiu a 3ª posição entre as 90 universidades brasileiras avaliadas na edição 2019, subindo uma posição em relação à edição anterior. No âmbito da América Latina, das 400 instituições avaliadas, a Unesp foi classificada na 29ª, subindo cinco posições em relação ao ano anterior.
A Figura 2 mostra que, do conjunto das 12 instituições brasileiras melhores classificadas, a Unesp foi uma das únicas a ter melhora de classificação, tanto nacional quanto internacionalmente.
Figura 2 – classificação as top 12 universidades brasileiras no Brasil e na América Latina
Sobre a metodologia
Ao manter a mesma metodologia nos últimos anos, é possível realizar uma análise diacrônica mais fiel aos dados, já que as variações são correspondentes somente ao desempenho da universidade.
Nesse contexto, salienta-se que alguns indicadores utilizados para classificar as universidades do BRICS são os mesmos usados para criar o QS World University Rankings, enquanto outros são incluídos para refletir prioridades e desafios que são mais específicos para as universidades dos países do BRICS.
Abaixo, segue lista dos indicadores utilizados neste ranking. Entre parênteses, link para acesso ao detalhamento da captação e análise dos dados.
Reputação acadêmica – com base em uma grande pesquisa global de acadêmicos, esse indicador contribui com 30% para a pontuação geral de cada universidade. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-academic/)
Reputação do empregador – com base em uma grande pesquisa global de acadêmicos, esse indicador contribui com 20% para a pontuação geral de cada universidade. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-employer/)
Proporção de professores/alunos – uma medida de quantos funcionários acadêmicos em período integral estão empregados por aluno matriculado; no valor de 20% da pontuação total. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-faculty-student/)
Docentes com doutorado – com base no percentual de docentes com doutorado; 10% da pontuação total. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-staff-with-phd/)
Trabalhos por docente – uma medida do número de trabalhos de pesquisa publicados anualmente por docente; 10% da pontuação total. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-citations-per-faculty/)
Citações por trabalho – uma medida de como os trabalhos de pesquisa citados com frequência de cada universidade são; vale 5% da pontuação total. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-papers-citations/)
Corpo docente internacional – baseado no percentual de docentes que são estrangeiros; 2,5% da pontuação total. 9 http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-international/)
Estudantes internacionais – com base na porcentagem de estudantes que são estrangeiros; 2,5% da pontuação total. (http://www.iu.qs.com/university-rankings/indicator-international/)
Importante destacar que, assim como outros rankings da instituição QS, o BRICS também embasa metade da avaliação aos questionários de reação, conforme mostrado na Figura 3. Ou seja: apesar de existir uma correlação direta entre os indicadores, aumentar o desempenho em indicadores como publicação não mostra direta melhora da universidade; entretanto, a qualidade da pesquisa tende a gerar enorme efeito pois dá visibilidade tanto ao corpo docente, quanto à própria universidade.
Figura 3 – Distribuição dos pesos dos indicadores no ranking BRICS
Sobre o desempenho da Unesp No seu desempenho, a Unesp tem mostrado certa regularidade, o que é esperado de uma universidade de ponta, bem estabelecida, atuante em diversas áreas do conhecimento, como é o caso de nossa instituição.
Ao longo dos últimos 5 anos, a Unesp teve uma melhora saindo da 36ª posição no ranking para a posição 29. Este desempenho é destacável se considerado que este período tem sido de grande instabilidade político-econômica no país, e mesmo assim, o alto nível e volume de pesquisa tem se mantido praticamente constante. Este desempenho é ainda mais destacável se considerado que o contingente de instituições avaliadas a cada ano aumenta, passando de 100 em 2013 para mais 400 na edição atual.
Independente do ano avaliado, a Unesp sempre se manteve entre as top 9% de todas as instituições avaliadas, mostrando que somos uma universidade de reconhecida pesquisa e reputação acadêmica.
A Figura 4 mostra a comparação dos indicações e da classificação da Unesp, nas últimas edições do ranking, para os BRICS (a) e Brasil (b). . Destaca-se que a Unesp mantem-se entre as melhores posições e teve melhoras nos indicadores de citação e internacionalização.
Dos indicadores avaliados, a Unesp apresentou melhora significativa em importantes indicadores quando comparado com o ano anterior. A reputação acadêmica saltou da 35ª posição para a 29ª, mostrando que o corpo docente e as pesquisas desenvolvidas têm sido reconhecidos pela comunidade acadêmica dos países envolvidos no BRICS, motivo este que reflete diretamente na internacionalização da universidade, como mostrado nos indicadores internacionais; a proporção de docentes/aluno mostra que o ensino tem sido de qualidade. Estes dois fatores são relevantes sobretudo se comparados com o número de docentes substitutos que têm atuado junto ao corpo docente para suprir as necessidades de ensino, em grande parte da graduação, devido a afastamentos e aposentadorias.
As quedas indicadas abaixo foram pequenas e localizadas, sendo importante destacar que em as pontuações na Unesp neste indicadores foram superiores em relação ao seu desempenho do ano anterior.
Figura 4 – Distribuição da classificação da UNESP no BRICS (a) e no Brasil (b), para as últimas duas edições do ranking
No plano da colaboração internacional, vemos na Tabela 1 que a Unesp tem grande colaboração com as 10 primeiras colocadas no ranking, inclusive muitas com grande quantidade de publicações em coautoria. A última coluna da tabela destaca que é de grande importância que as colaborações sejam mantidas, dado que o impacto de publicações conjuntas supera, e em muito, o impacto individual da Unesp.
Na parte inferior da Tabela 1, observam-se as 10 primeiras colocadas do Brasil. É visível a atuação da Unesp junto à USP e Unicamp, porém, apesar da alta publicação em coautoria, observa-se que o impacto não é muito superior ao individual da Unesp.
Para os iniciantes no assunto, convidamos à conhecer uma recente ferramenta da SCOPUS que visa demonstrar o impacto da pesquisa nas redes sociais: o PlumX Metrics.