Professores da Unifran dizem como a casa e a luz reprogramam o cérebro no frio

  • Cláudia Canelli
  • Publicado em 3 de julho de 2026 às 11:00
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Neurologista e arquiteto ensinam truques práticos para mudar os ambientes e aumentar a produtividade na falta de luz solar

Com a chegada das temperaturas mais baixas e dos dias cinzentos de inverno, é comum sentir uma sensação de desânimo, preguiça e dificuldade para manter o foco e a produtividade. Essa “melancolia de inverno”, no entanto, não é apenas uma impressão pessoal, mas sim uma reação química real do organismo.

Para combater esse efeito, especialistas da Universidade de Franca (Unifran) revelam como a Neuroarquitetura, ciência que estuda como os ambientes físicos impactam o cérebro humano, e o uso correto da iluminação podem atuar como reguladores externos da nossa saúde mental e do nosso foco.

Funcionamento corporal

Do ponto de vista biológico, a redução da luz solar típica dos dias frios afeta diretamente o funcionamento do corpo. A Profa. Dra. Thaisa Mattos, neurologista e docente do curso de Medicina da Unifran, explica que a falta de luminosidade inibe a produção de serotonina, o neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

“Quando a luz natural diminui, o corpo interpreta que é hora de descansar e entra em um estado de sonolência, o que nos deixa mais letárgicos e com dificuldade de reação”, explica a médica.

Ela faz um alerta importante sobre receitas milagrosas da internet: “Muitas pessoas acreditam que colocar um objeto colorido ou amarelo na mesa de trabalho ajuda no foco, mas não existem evidências científicas disso. O que realmente dita o estado de alerta do cérebro é a iluminação e a atmosfera geral do ambiente”.

A ciência das lâmpadas: produtividade vs. sono

De acordo com a neurologista, o tipo de luz que escolhemos para cada cômodo influencia diretamente a nossa produtividade e a qualidade do nosso sono:

Luz branca (5.000K a 6.500K):por ser brilhante e energizante, é ideal para escritórios e espaços de trabalho. Estudos mostram que a iluminação branca de alta intensidade aumenta o desempenho e a atenção em tarefas entre 10% e 20%, elevando a produtividade geral em até 15%. No entanto, deve ser evitada à noite: a luz azul presente nas telas e lâmpadas brancas reduz a melatonina (hormônio do sono) em 23%, atrasando o sono e aumentando a fadiga ocular.

Luz amarela (2.700K a 3.500K):cria uma atmosfera aconchegante e acolhedora, perfeita para residências, áreas de descanso e quartos. Pesquisas do National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, mostram que a iluminação amarela reduz a fadiga ocular em 20%, sendo a melhor escolha para o conforto noturno.

Como reorganizar a casa contra o desânimo

Para equilibrar essas reações químicas do cérebro sem precisar de grandes reformas, o Prof. Dr. Maurício de Azevedo Valentini, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifran, explica que o design de interiores funciona como um poderoso regulador externo.

O especialista aponta três pilares práticos da neuroarquitetura para aplicar em casa ou no escritório durante o inverno:

Maximizar a luz natural

Diante de dias mais escuros, a regra de ouro é a reposição estratégica do layout. “Mova as escrivaninhas de trabalho, mesas de estudo e sofás para o mais perto possível das janelas e aberturas de luz natural. Essa exposição solar diária ajuda a manter a produção de serotonina ativa”, orienta o arquiteto.

Design Biofílico (conexão com a natureza)

Trazer elementos naturais para dentro dos ambientes reduz comprovadamente os níveis de estresse (cortisol) e aumenta a vitalidade. “A inserção de plantas reais nos cômodos e o uso de texturas que remetem à natureza, como móveis de madeira ou detalhes em pedra, estimulam áreas cerebrais ligadas ao relaxamento e bem-estar”, destaca o professor.

Compensação de cores nos detalhes

Para combater o cinza do céu de inverno, use o ambiente para estimular o cérebro visualmente. “Podemos compensar a ausência do sol por meio de estímulos de cores que o cérebro associa ao calor e à energia. Isso pode ser feito de forma simples em tecidos, mantas, cortinas ou capas de almofadas em tons quentes, como amarelo, terracota e laranja”, conclui o Prof. Maurício.


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