Filho caçula é mais mimado? Especialistas desmentem mito e alertam para danos

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 8 de agosto de 2026 às 08:30
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Terapeutas afirmam que estereótipos sobre os filhos mais novos podem afetar a forma como são tratados até a vida adulta

Especialistas desmistificam o rótulo de caçula mimado e explicam os impactos psicológicos na vida adulta (Foto Magnific)

 

Rótulos como “o caçula é folgado” ou “o mais novo é o mais divertido” são frequentes em conversas familiares, mas especialista afirmam que esse conceito faz parte de um dos mitos mais equivocados da psicologia popular.

Estudos e pesquisas na área comportamental indicam que a ordem de nascimento possui uma influência muito menor na personalidade adulta do que o senso comum costuma atribuir.

Segundo a terapeuta familiar Caitlyn Oscarson, em entrevista ao Huffington Post, o estereótipo do filho mais jovem ser favorecido ou mimado é incorreto e prejudicial, pois molda a forma como a criança é tratada, gerando impactos e cicatrizes emocionais que podem se estender até a vida adulta.

Ressentimento Familiar e Sentimento de Incapacidade

O tratamento dispensado ao filho mais novo frequentemente provoca distorções na dinâmica familiar. Robin Hamilton, profissional da área de saúde mental, aponta que muitos adultos caçulas relatam incômodo profundo com a ideia de que foram favorecidos, percepção que muitas vezes alimenta o ciúme de irmãos mais velhos.

Embora alguns caçulas cresçam com maior flexibilidade por parte dos pais, Oscarson ressalta o lado negativo desse cenário: essas pessoas tendem a se sentir subestimadas, com opiniões minimizadas e experiências constantemente desvalorizadas.

Priya Tahim, conselheira profissional e fundadora da Kaur Counseling, complementa que ser eternizado como o “bebê da família” mina a independência e faz com que o indivíduo tenha suas emoções ignoradas pela rede de apoio.

Pressão para Agradar e a Busca na Terapia

Outro estigma comum é a exigência velada de que o filho mais novo seja sempre leve, engraçado e sociável. De acordo com Mabel Yiu, fundadora do Women’s Therapy Institute, essa cobrança faz com que o caçula reprima frustrações reais e desenvolva uma hipervigilância em relação aos sentimentos dos outros.

Na fase adulta, esse comportamento costuma se manifestar como uma necessidade compulsiva de agradar a todos, anulando as próprias vontades.

A terapeuta Natalie Moore reforça que o papel da psicologia não é rotular, mas ajudar a desconstruir essas crenças.

O processo terapêutico permite que o indivíduo compreenda sua verdadeira identidade, separando a essência pessoal dos papéis impostos pela posição de nascimento no núcleo familiar.

Fonte: Extra


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