No clássico da animação Bambi (1942), a transição das estações dita o ritmo da vida na floresta.
Após enfrentarem um inverno rigoroso e escasso, marcado por tons cinzentos e silêncio, os animais despertam sob o comando do sábio Corujão para celebrar o desabrochar das flores e o renascimento da natureza.
Esse famoso “despertar da primavera” explode em cores vibrantes na tela, trazendo uma metáfora artística perfeita para os picos hormonais que impulsionam os rituais de acasalamento e a busca por parceiros no reino animal.
Leis da Física
Embora essa transformação pareça mágica nas telas, na realidade ela é governada por leis estritas da física e da astronomia.
O desabrochar da vida vegetal e a mudança no comportamento dos animais são respostas diretas à variação de luz e calor que o nosso planeta passa a receber devido à sua posição no espaço.
É a mecânica celeste que dita o fim do inverno e o início desse espetáculo natural.

Ilustração explica o equinócio de setembro. (Imagem: Observatório Nacional).
Para entender quando e como esse fenômeno ocorre no relógio da Terra, a astronomia precisa calcular a posição exata do planeta em relação ao Sol.
Em 2026, esse cálculo aponta que a primavera começa oficialmente nesta terça-feira, 22 de setembro, exatamente às 21h05 (Horário Legal de Brasília).
Este horário marca o equinócio de primavera no hemisfério sul e de outono no hemisfério norte. A estação mais florida do ano se estende até o dia 21 de dezembro, quando dá lugar ao verão.
Explicação
Conforme explicou a Dra. Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), as diferentes estações do ano acontecem porque o eixo de rotação da Terra é inclinado em relação ao seu plano de órbita e, além disso, pelas diferentes posições da Terra em sua translação em torno do Sol.
“À medida que a Terra orbita o Sol, seu eixo inclinado sempre aponta na mesma direção e isso faz com que diferentes partes da Terra recebam os raios diretos do Sol. O instante exato do início de uma estação do ano é determinado por uma posição específica da Terra em sua órbita”, disse a Dra. Josina.
A astrônoma também explica que para compreender o exato instante do início das estações, é preciso imaginar a Terra parada e o Sol se movendo em relação a nós.
Nessa perspectiva, o Sol percorre um caminho que se chama eclíptica. O instante do equinócio de setembro é aquele em que o Sol cruza o equador celeste, que é a extensão do equador terrestre, indo de norte para sul.
No hemisfério sul é o equinócio de primavera e no hemisfério norte é o equinócio de outono.
INPE: primavera de 2026 trará uma mudança no regime de chuvas
Segundo Fabio Pinto da Rocha, meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), também unidade de pesquisa do MCTI, a primavera de 2026 trará uma mudança gradativa no regime de chuvas:
Do ponto de vista meteorológico, o tempo seco que é característica comum do outono e inverno no Sudeste, Centro-Oeste e Centro Norte do país, será aos poucos substituído por períodos com maiores volumes de chuva, sobretudo a partir de outubro.
Essas chuvas ocorrem principalmente na forma de pancadas localizadas, por vezes acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento e eventual queda de granizo.
As chuvas costumam provoca danos e transtornos à população nas áreas afetadas, exigindo cuidados e acompanhamento frequente das previsões de tempo operacionais, avisos meteorológicos e avisos da Defesa Civil Nacional e a da sua cidade.
Vem calor intenso por ai
O meteorologista alerta ainda para os cuidados com a saúde e os dias de calor intenso durante o período.
Não se descarta a chance eventual para períodos de dias seguidos de sol com temperaturas mais elevadas, e baixa umidade relativa do ar no período da tarde.
Isso caracteriza ondas de calor, requerendo cuidados maiores especialmente por parte de pessoas idosas, crianças e pets, se fazendo necessário adequada hidratação, uso de protetor solar e evitar exposição ao sol no período mais quente do dia, entre 10h e 16h

As posições da Terra nos solstícios e nos equinócios. (Imagem: Kepler de Souza Oliveira Filho e Maria de Fátima Oliveira Saraiva)
As estações do ano são marcadas pela maneira como os raios solares incidem nos hemisférios.
Além da temperatura, um dos efeitos que evidenciam as estações é a variação dos comprimentos dos dias, ou seja, a quantidade de tempo que o Sol fica acima do horizonte.
Nas regiões próximas ao equador terrestre, esse efeito praticamente não existe. No entanto, quanto mais nos afastamos do equador terrestre, mais esse efeito torna-se evidente.
Até quando vai
“No início da primavera, os dias terão aproximadamente o mesmo comprimento das noites. No hemisfério sul, os dias vão ficando cada vez maiores e as noites cada vez menores, até o maior dia do ano, que ocorre no início do verão, que neste ano será dia 21 de dezembro”, explicou a Dra. Josina.
Os locais onde o Sol nasce e se põe e o caminho que o Sol faz no céu também difere de acordo com as estações do ano.
Nos equinócios, por exemplo, o sol nasce no ponto cardeal leste e se põe no ponto cardeal oeste. Já nos solstícios o sol nasce em máximo afastamento do ponto cardeal leste e se põe no máximo afastamento do ponto cardeal oeste.
No hemisfério sul, o máximo afastamento do nascer do sol no solstício de verão ocorre para sudeste e no ocaso (pôr do sol) para sudoeste; inversamente, no solstício de inverno o máximo afastamento do Sol no nascer é para nordeste e no ocaso para noroeste.
Dias diferentes
Josina explica que os solstícios e equinócios não ocorrem exatamente nos mesmos dias do ano a cada ano. Por exemplo, a primavera nos anos atuais pode ser no dia 22 de setembro em alguns anos e no dia 23 em outros anos.
Há alguns fatores envolvidos nessa diferença. Segundo publicação do Observatório Nacional no portal Gov.br, um deles é porque o tempo decorrido entre dois equinócios de março, o chamado ano trópico, é menor que o ano sideral, definido como o tempo de translação da Terra em torno do Sol.
“O nosso Calendário Gregoriano baseia-se no ano trópico e institui um ano bissexto em todos os anos divisíveis por 4, exceto para séculos inteiros, que só são bissextos se forem múltiplos de 400″, diz a Dra. Josina.
Segundo ela, “isso faz com que o instante do início de uma estação seja próximo ao instante do início da mesma estação 4 anos antes ou 4 anos depois”.



