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No primeiro bimestre, a cidade perdeu 6% em exportações, enquanto país elevou negócios com estrangeiros
As indústrias de calçados de
Franca acumularam no primeiro bimestre de 2019 o pior nível de emprego dos
últimos 16 anos, segundo relatório divulgado esta semana pelo Sindicato da
Indústria Calçadista (Sindifranca).
O resultado combina dados da Relação Anual de
Informações Sociais (RAIS) – que computa o número de pessoas que já estavam com
carteira assinada – e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) –
que divulga as novas contratações.
Apesar de a cidade ter sido a segunda do Estado em
geração de empregos este ano, o recente levantamento da União mostra que o
primeiro bimestre foi o pior dos últimos dez anos.
Os números refletem diretamente a situação do setor
calçadista, carro-chefe da economia local e responsável pela metade dos
empregos gerados no segmento no Estado.
As fábricas terminaram fevereiro com uma força de
trabalho de 17.723 empregados, contra 20.310 em 2018, o que representa uma
queda de 12,73%. A baixa é reforçada pela queda de 13,87% nas contratações
entre janeiro e fevereiro.
Em 2014, melhor ano da série histórica nesse período, o
setor empregava 27.179 pessoas, quase dez mil pessoas a mais. O resultado só
não é pior do que em anos como em 2003, quando o segmento tinha 17.607
trabalhadores.
Na mesma medida em que os empregos caíram, as projeções quanto à
produção de calçados para 2019 também foram reduzidas para 23.523.192 pares, o
menor volume desde 1997, primeiro ano da série histórica do levantamento do
Sindifranca.
O presidente do sindicato, José Carlos Brigagão do Couto, classifica o
resultado como parte de um processo de desaceleração observada nos últimos anos
relacionada à recessão econômica do país, que impactou diretamente no volume de
pedidos.
Em função disso, mais de 1,3 mil funcionários – de um total de 4,1 mil
demitidos entre novembro e dezembro do ano passado, como efeito da sazonalidade
da indústria – ainda não foram recontratados este ano.
Ele espera que os números melhorem à medida que forem aprovadas
reformas, como a tributária e da Previdência, pelo governo federal.
“Estamos na expectativa de que o setor vai começar a se recuperar
gradativamente”, afirma.
Nas exportações, as fábricas do município registraram um ganho 6% menor
na comparação com 2018, com um montante de US$ 91 milhões nos primeiros dois
meses do ano garantido principalmente por EUA – com um incremento de 0,4% nas
importações -, Chile e Argentina – que compraram respectivamente 15% e 23%
menos este ano.
O retrospecto do polo calçadista paulista é o oposto do registrado em
todo o país, que fechou o bimestre com alta de 16% nos negócios firmados com
compradores estrangeiros.
Segundo Brigagão, a baixa pode ter relação com o alto valor agregado do
calçado de Franca, que custa acima de US$ 20 no mercado internacional, enquanto
itens mais baratos produzidos em outros polos calçadistas tiveram maior
abertura no exterior. “Calçado infantil, chinelo, sapato injetado o valor
agregado é bem menor”, afirma.