Mesmo com medidas já anunciadas, a massa salarial deve cair 5,2%, retração recorde da série iniciada em 2003
A crise do coronavírus deixará até 12,6 milhões desempregados e provocará contração recorde de quase 15% na renda dos trabalhadores, caso o governo não amplie os instrumentos de transferência de renda à população e de ajuda a empresas para que mantenham empregos.
Os números constam de um estudo dos pesquisadores do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) Silvia Matos, Luana Miranda, Lívio Ribeiro, Vilma Pinto, Paulo Peruchetti e Tiago Martins.
Mesmo com as medidas já anunciadas para garantir renda extra a trabalhadores formais e informais, que somam R$ 170 bilhões, a massa salarial deve cair 5,2%, retração recorde da série iniciada em 2003.
Sem essas medidas, a queda seria de 10,3%. No cenário considerado mais factível pelos pesquisadores, há retração de 3,4% no PIB (Produto Interno Bruto) e de 6,7% nas horas trabalhadas e na população ocupada —com a perda de cerca de 6 milhões de empregos.
O desemprego terminaria o ano no patamar recorde de 17,8%. No trimestre encerrado em fevereiro, antes do início da crise, a taxa estava em 11,6%.
O cenário mais pessimista mantém a expectativa para a maior parte dos setores, mas sinaliza uma piora mais profunda no setor de serviços.
Nesse caso, a massa salarial cai 13,8%, mesmo considerando as medidas já anunciadas pelo governo, com redução de 13,5% na população ocupada e nas horas trabalhadas de todos os setores, número compatível com uma retração do PIB de 7%.
A taxa de desemprego iria para 23,8% —seriam 12,6 milhões de novos desempregados no país. Ou seja, mais que o dobro do registrado antes da pandemia.