6 sintomas que não passam, comuns a 76% de quem se recupera de Covid-19

  • Salvador Netto
  • Publicado em 11 de janeiro de 2021 às 22:00
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Patologia pode causar sequelas graves tanto para saúde física como mental e exige acompanhamento constante

 Pacientes que tiveram covid-19 relatam que alguns sintomas ainda persistem

Uma nova pesquisa reitera a importância de acompanhamento a longo prazo de pacientes com Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, visto que a patologia pode causar sequelas graves tanto para saúde física como mental

“Como a Covid-19 é uma doença muito nova, estamos apenas começando a perceber alguns de seus efeitos de longo prazo na saúde dos pacientes”, explica Bin Cao, coautor do estudo, em declarações à imprensa.

A pesquisa levada realizada por cientistas de vários institutos chineses publicada no “The Lancet” e divulgada num artigo na prestigiada revista “Galileu”, aponta que mais de três quartos dos doentes com Covid-19 registram pelo menos um sintoma seis meses após as primeiras manifestações do vírus.

De 7 de janeiro e 29 de maio de 2020, o estudo acompanhou 1.733 indivíduos que haviam recebido alta do Hospital Jin Yin-tan, em Wuhan, na China.

Para efeitos daquela pesquisa, foram realizadas entrevistas de modo a averiguar a qualidade de vida pós-infecção e foram igualmente feitos exames físicos e testes de laboratório nos voluntários.

De acordo com os investigadores, 76% reportaram sofrer de pelo menos um sintoma permanente nos meses seguintes a deixarem o hospital.

Fadiga ou fraqueza muscular foi denunciada por 63% dos indivíduos, 26% experienciaram insônias e 23% sofreram de depressão e de ansiedade.

Conforme explica a Galileu, grande parte daqueles que tiveram quadros mais severos de Covid-19 apresentaram uma função pulmonar diminuída, nomeadamente 56% dos pacientes classificados na escala de gravidade cinco e seis – que requereram ventilação para sobreviverem – registraram comprometimento no processo de difusão, ou seja fluxo reduzido de oxigênio dos pulmões para a corrente sanguínea.

Já os indivíduos classificados na escala de gravidade quatro – que necessitaram de oxigenoterapia- e outros enquadrados na escala três – que não precisaram de oxigenoterapia –, os valores corresponderam a 29% e 22%, respectivamente.

Mais ainda, esses doentes não desempenharam tão bem como seria suposto ao serem submetidos a um teste que mediu a distância percorrida pelos mesmos durante seis minutos.

Nos classificados na escala de gravidade cinco e seis, 29% caminharam menos do que o limite inferior da faixa normal, comparativamente com 22% daqueles na escala quatro e 24% para a escala três.

“A nossa análise indica que a maioria dos pacientes continua vivendo com pelo menos alguns dos efeitos do vírus após a alta hospitalar e destaca a necessidade de cuidados pós-alta, especialmente para aqueles que apresentam infecções graves”, sublinhou Cao.

Adicionalmente, exames revelaram que 13% dos pacientes cuja função renal era normal quando estavam internados apresentaram progressivamente uma diminuição da sua capacidade.


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