Elaborada por voluntários, a publicação aborda a violência doméstica e terá 5 mil exemplares
A Rede Maria da Penha de Franca, grupo formado por voluntários que se uniram inicialmente para conseguir viabilizar a Patrulha Maria da Penha para a cidade, deu passos maiores e nesta quinta-feira, 25 de junho, lança a cartilha “Vire a página, Mulher”, focada no combate à violência contra a mulher.
O documento foi elaborado com uma linguagem de fácil compreensão.
Seu principal objetivo é levar até o público alvo, que são as mulheres, informações sobre as principais formas de violência doméstica e familiar.
E também explicar como é ciclo dessa violência e quais são as medidas de proteção que a Lei Maria da Penha assegura para toda mulher.
A cartilha traz, também, os endereços e telefones dos principais serviços de atendimento da rede de proteção feminina.
O lançamento será realizado no CRAM (Centro de Referência e Apoio à Mulher), entidade mantida pelo Grupo Mulheres do Brasil-Franca. O evento será nesta quinta-feira, às 14h. (Leia mais sobre o lançamento abaixo)
“Nós entendemos que a mulher, ao tomar conhecimento e compreendendo as diversas formas de agressão, pode identificar se está inserida num ciclo de violência e encontrar caminhos para sair dele”, disse o promotor de Justiça, Claudio Luis Watanabe Escavassini, um dos idealizadores da Rede Maria da Penha de Franca.
“Achamos importante mostrar para as mulheres que estão vivendo uma situação de violência doméstica quais são os direitos e garantias que a lei assegura para ela e, também, onde elas podem procurar ajuda”, disse a vereadora Cristina Vitorino, também idealizadora da Rede.
A elaboração da cartilha, a revisão, edição e diagramação foram realizados de maneira voluntária por integrantes da rede e, também, apoiadores da causa como a artista Camila Souza que cedeu gratuitamente as artes que ilustram a cartilha, e a Inova Escritório Virtual, responsável pela diagramação da publicação.
A primeira edição da cartilha vai ter uma tiragem de 5 mil exemplares que serão distribuídos gratuitamente em lugares públicos de grande circulação de mulheres, como é o caso das UBSs da cidade.
“Vamos enviar, também, exemplares para entidades, órgãos e autoridades. Além disso, vamos encaminhar uma versão em PDF da cartilha, de forma virtual, para grupos, entidades, associações e interessados de uma forma geral”.
“Nossa intenção é que as informações contidas na cartilha cheguem ao maior número de pessoas possível”, disse Carolina Escavassini, que elaborou, em parceria com o promotor Claudio Escavassini, o texto original da cartilha.
“Luto todos os dias para que as mulheres não passem por um relacionamento abusivo, para que tenham ao menos o mínimo de amparo quando isso acontecer e ver, agora, a publicação da cartilha, me deixa satisfeita”, disse Stella Santana Lima, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, que está na Rede desde o início dos trabalhos.
Além dos integrantes já citados, a Rede Maria da Penha é formada por profissionais liberais, empresárias, vereadora, psicóloga, jornalista e conta com o apoio de vários grupos da cidade.
Entre eles, o Grupo Mulheres do Brasil-Franca. “Nós apoiamos causas de relevância para a comunidade francana, principalmente as referentes às mulheres, educação, saúde, meio ambiente, combate ao racismo e à violência. Estamos orgulhosos de fazer parte dessa rede com nosso núcleo de Franca e nosso Centro de Referência”, disse Eliane Sanches Querino, coordenadora do Grupo Mulheres do Brasil Núcleo Franca, e integrante da rede.
O Lançamento
Em virtude pandemia, o lançamento da cartilha será marcado por um evento restrito aos integrantes da Rede Maria da Penha de Franca e a representantes de poucos órgãos de imprensa.
“Além de ser um evento pequeno, vamos tomar todas as medidas preventivas, como realizar o encontro em local aberto (no jardim do CRAM), todos usando máscara, sem aglomeração e com álcool gel”, disse Eliane Sanches Querino.
Para garantir uma amplitude maior de divulgação, a Rede realizará lives durante a cerimônia.
A História da Rede
O trabalho da Rede já tem frutos importantes, mas trata-se de um grupo muito jovem; tem apenas de 8 meses de existência. Tudo começou em outubro de 2019, quando a Escola Superior do Ministério Público trouxe para Franca duas promotoras de Justiça de São Paulo que fazem um trabalho em prol das mulheres.
“Foi um dia de palestras e conversas. A partir daí, verificamos a dificuldade em Franca em relação a vários aspectos do combate à violência doméstica, como uma rede apoio sem fluxo, deficiência no tratamento das vítimas, não observação dos agressores e necessidade de um trabalho para desconstrução do machismo”, disse Claudio Escavassini.
Começamos, então, a conversar com a vereadora Cristina, que se mostrou interessada pelo tema desde o início, e os contatos foram sendo ampliados e nosso grupo foi crescendo.
“A cada reunião foram surgindo representantes de instituições que apoiavam a causa e a Rede foi se fortalecendo. Hoje, nosso grupo tem vários profissionais das mais diversas áreas de atuação, todos empenhados em trabalhar voluntariamente em prol da mulher vítima de violência. Descobrimos que juntos poderíamos ir mais longe”, disse Claudio Escavassini.
Com o perfil do grupo melhor definido, os voluntários abraçaram 3 pilares de atuação: a implantação da Patrulha Maria da Penha na cidade; o fortalecimento da rede protetiva e a criação de um grupo reflexivo para o agressor.
“A cartilha que lançamos hoje é uma ferramenta que vai ajudar a realizarmos esse trabalho”, disse o promotor Escavassini.
A Patrulha Maria da Penha realizada pela Polícia Militar já está atuando nas ruas de Franca. Falta, agora, a regulamentação do Executivo para que a Guarda Municipal também realize esse trabalho.
“Em relação ao trabalho com os agressores, estamos aguardando passar o período da pandemia para retomarmos o projeto”, finalizou Carol.
Integrantes da Rede
– Ana Beatriz Junqueira Munhoz – Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da OAB de Franca;
-Andréa Cristina da Silva – Voluntária;
-Carolina Gonçalves de Oliveira Escavassini – Comissão de Combate à Violência Contra Mulher da OAB Franca;
-Claudio Escavassini, Promotor de Justiça – Ministério Público do Estado de São Paulo;
-Cristina Vitorino, vereadora – Câmara Municipal de Franca/Procuradoria da mulher;
– Eliane Sanches Querino – Coordenadora do Grupo Mulheres do Brasil- Franca;
-Joelma Ospedal, jornalista, empresária – integrante do Grupo Mulheres do Brasil-Franca
-Juliana Oliveira de Moura, psicóloga – Centro de Referência de Atendimento a Mulher
-Lila Crespo, tradutora – integrante do Grupo Mulheres do Brasil-Franca
-Lívia Maria Gimenes Gomes Limonta – Conselho da Mulher Empreendedora – Acif;
– Stella Santana Lima – Presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina