Risco que muitas pessoas temem: Quais fatores fazem o câncer voltar? Médico explica

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 16 de junho de 2024 às 18:00
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O principal fator de risco para o retorno de um câncer é o estadiamento. Quanto mais avançado estiver o tumor, maior a chance de retorno

O principal fator de risco para o retorno de um câncer é o estadiamento – foto Arquivo

A recidiva tumoral consiste no retorno da doença e pode ocorrer no órgão de origem do câncer, nos gânglios que drenam a região onde o tumor apareceu ou em outras partes do corpo, como pulmão, cérebro e ossos.

O principal fator de risco para o retorno de um câncer é o estadiamento no qual ele foi diagnosticado.

O estadiamento se refere à extensão do câncer presente no corpo do paciente. Segundo o oncologista Wesley Pereira Andrade, que atende no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, se o tumor for diagnosticado na fase inicial há um baixíssimo risco de retorno. Se estiver mais avançado, as chances aumentam.

Sem retorno

O acesso a tratamento de ponta – que inclui diagnóstico, atendimento médico, procedimentos e medicações – é um fator importante para que o câncer não retorne.

“Infelizmente existe uma distinção do que o paciente tem acesso na linha privada via convênio e na linha pública, que é mais restrita”, aponta o especialista.

Segundo o oncologista, toda vez que o tratamento é “sub efetivo”, ou seja, a cirurgia foi quase ótima, o tratamento com medicamentos não foi realizado da forma ideal, e a radioterapia não foi feita de forma adequada, as chances de reincidência aumentam.

Risco da volta

“Tudo isso tem a ver com a questão da qualidade do tratamento e isso realmente tem impacto no risco de o câncer voltar”.

“Existem vários trabalhos hoje que colocam como um dos principais fatores de qualidade de tratamento oncológico a qualidade da cirurgia oncológica”.

“Ou seja, quanto maior a expertise do médico, maiores são as chances de cura do paciente. Então, a cirurgia tem um impacto gigantesco na qualidade do tratamento e nas chances de cura do paciente”, comenta.

Genética

A genética também pode aumentar o risco de um segundo tumor primário.

“Quem tem uma mutação genética como do gene BRCA1, por exemplo e tratou um câncer de mama em uma mama e não fez uma cirurgia preventiva, tem maior chance de ter um segundo primário na outra mama”.

“Não é exatamente que o câncer inicial tenha voltado, a mutação genética aumentou a chance de um segundo câncer primário. Então, as doenças genéticas predispõem a ter mais cânceres, que chamamos de segundos primários, no mesmo órgão e em outro órgão”.

Hábitos de vida

O especialista explica que mudar os hábitos de vida é uma providência muito importante para evitar a recidiva de um câncer.

“Se o paciente teve um câncer de pulmão relacionado ao tabaco, tratou, mas continua fumando, ele naturalmente está mais exposto ao risco de um outro câncer”.

“Uma mulher que teve um câncer de mama, tratou o câncer de mama, mas continua obesa, sedentária e se alimentando mal também aumenta as chances de retorno da doença”, aponta.

Segundo o oncologista Wesley Pereira Andrade, parar de beber, parar de fumar, controlar o peso, praticar atividades físicas e comer alimentos saudáveis são estratégias extremamente importantes para todos os tipos de cânceres.

*Informações Metrópoles