Preço de pastel: sapato chinês chega ao Brasil por R$ 15 o par e sufoca indústria

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 17 de julho de 2026 às 13:00
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Levantamento mostra que calçados da China, Vietnã e Indonésia entram no país a preços muito abaixo da indústria nacional

A invasão de calçados asiáticos no mercado brasileiro continua ganhando força e ajuda a explicar a crescente preocupação da indústria nacional, especialmente em polos produtores como Franca.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) revelam que os pares importados da China, Vietnã e Indonésia chegam ao Brasil por valores médios que tornam a concorrência praticamente impossível para a produção nacional.

A situação mais emblemática é a da China. No primeiro semestre, o Brasil importou 9,7 milhões de pares de calçados chineses por US$ 26,5 milhões.

Isso significa um custo médio de apenas US$ 2,73 por par, o equivalente a cerca de R$ 15 (considerando o dólar a R$ 5,50).

Da Indonésia vieram 3,68 milhões de pares por US$ 69,24 milhões, com preço médio de US$ 18,82 por par, ou aproximadamente R$ 103.

Já o Vietnã embarcou 6,83 milhões de pares por US$ 150,57 milhões, resultando em um valor médio de US$ 22,05 por par, cerca de R$ 121.

Embora os produtos vietnamitas e indonésios tenham maior valor agregado, é o volume dos calçados chineses que chama a atenção da indústria.

Os pares chegam ao Brasil por um preço médio inferior ao custo de produção de muitos fabricantes nacionais, que ainda enfrentam elevada carga tributária, encargos trabalhistas e custos de energia, logística e matérias-primas.

No total, o Brasil importou 25,9 milhões de pares no primeiro semestre, alta de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A Ásia respondeu por mais de 87% dessas compras, consolidando China, Vietnã e Indonésia como os principais fornecedores do mercado brasileiro.

Segundo a Abicalçados, o avanço das importações já produz reflexos no emprego. A entidade estima que o setor deixou de criar aproximadamente 7,8 mil postos de trabalho no primeiro semestre em razão da concorrência dos produtos importados, classificados pela indústria como resultado, em muitos casos, de práticas comerciais desleais.

Para um polo calçadista como Franca, onde milhares de empregos dependem da fabricação de calçados, o aumento da entrada de produtos asiáticos a preços tão baixos reforça o desafio de competir em um ambiente marcado por elevados custos de produção e forte carga tributária.


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