Pesquisa com fêmeas do Aedes Aegypti revela como pistas visuais e dióxido de carbono orientam o voo dos insetos e pode ajudar no combate a doenças
Estudo mostra por que mosquitos se concentram na cabeça e ombros. Entenda como CO₂ e cores influenciam o ataque do Aedes aegypti (Foto Arquivo)
Você já reparou que os mosquitos costumam se concentrar ao redor da cabeça e dos ombros? Um novo estudo ajuda a explicar esse comportamento.
Segundo a pesquisa, os insetos são atraídos por sinais específicos do corpo humano, principalmente o dióxido de carbono (CO₂) liberado na respiração e estímulos visuais, como cores escuras.
Combinação de fatores aumenta chance de picadas
Os cientistas descobriram que nenhum desses fatores funciona sozinho com eficiência. Objetos escuros, por exemplo, atraem os mosquitos visualmente, mas não fazem com que eles permaneçam no local.
Já o CO₂ ajuda a identificar um possível alvo, mas apenas em curtas distâncias.
O problema acontece quando os dois estímulos se combinam. Nesse cenário, os mosquitos permanecem ao redor da pessoa, aumentando as chances de picada.
Cabeça e ombros são os principais alvos
A pesquisa mostrou que os insetos tendem a se concentrar nas partes superiores do corpo, especialmente na região da cabeça.
Isso acontece porque ali há maior liberação de CO₂, além do contraste visual, o que cria um ambiente ideal para atrair os mosquitos.
Estudo analisou milhões de movimentos em 3D
A descoberta foi feita por pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech) e do MIT, nos Estados Unidos.
Para chegar aos resultados, a equipe monitorou centenas de mosquitos fêmeas — as únicas que picam — e analisou cerca de 20 milhões de pontos de dados sobre seus deslocamentos.
Os movimentos foram registrados com câmeras infravermelhas em 3D, permitindo mapear com precisão o padrão de voo dos insetos.
Descoberta pode ajudar no combate à dengue
Os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes no combate ao Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e febre amarela.
Segundo os pesquisadores, armadilhas que combinam estímulos, como CO₂ e variações de luz, tendem a ser mais eficientes do que aquelas que utilizam apenas um tipo de atração.
Tecnologia pode melhorar controle de mosquitos
Além da pesquisa, os cientistas desenvolveram uma plataforma interativa que simula o comportamento dos mosquitos diante de diferentes estímulos.
A ferramenta pode ajudar na criação de novas tecnologias para reduzir a presença dos insetos, principalmente em regiões tropicais.