Quando investigada corretamente, a halitose geralmente possui uma causa identificável e possibilidade de tratamento
Com a chegada do inverno, aumentam os casos de problemas respiratórios típicos da estação, como rinite, congestão nasal e infecções das vias aéreas superiores. Nesse período, outro incômodo também costuma se tornar mais frequente: a halitose, popularmente conhecida como mau hálito.
Embora muitas pessoas associem o problema exclusivamente à falta de higiene bucal, a halitose é uma condição multifatorial e pode ser influenciada por alterações da boca, do nariz, da garganta e até por algumas condições sistêmicas, ou seja, que afetam diferentes partes do organismo.
O dr. Francisco Leite dos Santos, médico otorrinolaringologista, explica que fatores ambientais característicos dos meses mais frios, como a baixa umidade do ar, a respiração pela boca e a menor hidratação, também podem contribuir para o agravamento do problema.
Odor desagradável
A halitose é definida como a presença persistente de odor desagradável no ar expirado. Diferentemente do odor transitório provocado por determinados alimentos ou pelo jejum prolongado, trata-se de uma condição que merece investigação quando se torna frequente ou persistente.
Segundo o dr. Francisco Leite dos Santos, a maioria dos casos tem origem na própria cavidade oral.
“O acúmulo de bactérias sobre a superfície da língua, especialmente na sua região posterior, é uma das causas mais comuns de halitose. Essas bactérias degradam resíduos orgânicos e produzem compostos sulfurados voláteis, substâncias responsáveis pelo odor desagradável”, explica.
Doenças gengivais, higiene oral inadequada e alterações que favorecem o ressecamento da boca também podem contribuir para o problema.
Ressecamento das mucosas
Durante o inverno, alguns fatores tornam esse cenário mais propício. A baixa umidade do ar favorece o ressecamento das mucosas, enquanto a menor ingestão de líquidos, comum nos dias mais frios, pode aumentar a sensação de boca seca.
A saliva exerce papel fundamental na limpeza natural da cavidade oral, ajudando a remover resíduos alimentares, controlar o crescimento bacteriano e manter o equilíbrio do ambiente bucal.
Outro fator importante é a respiração pela boca. Quadros de rinite alérgica, congestão nasal e outras causas de obstrução nasal podem dificultar a passagem adequada do ar pelo nariz
Quando isso acontece, muitas pessoas passam a respirar predominantemente pela boca, o que favorece o ressecamento da cavidade oral e cria condições mais favoráveis ao surgimento da halitose.
Alterações nasais
Além das alterações nasais, algumas condições da garganta também podem contribuir para o problema. Entre elas estão os cáseos amigdalianos, pequenos acúmulos de resíduos celulares, bactérias e secreções que podem se formar nas criptas das amígdalas e produzir odor desagradável.
“Nem todo caso de mau hálito tem origem odontológica. Alterações nasais e da garganta podem participar do problema, especialmente quando favorecem a respiração oral crônica ou o acúmulo de secreções”, destaca o especialista.
A prevenção envolve medidas relativamente simples: manter boa hidratação ao longo do dia, realizar higiene adequada dos dentes e da língua, controlar doenças nasais como a rinite alérgica e buscar avaliação médica quando houver obstrução nasal persistente ajudam a reduzir o risco de halitose.
Em pessoas com sintomas persistentes, a avaliação médica e odontológica pode ser importante para identificar a causa predominante e orientar o tratamento mais adequado.
“O inverno costuma evidenciar problemas que já existiam de forma mais discreta ao longo do ano. Quando investigada corretamente, a halitose geralmente possui uma causa identificável e possibilidade de tratamento”, conclui dr. Francisco Leite dos Santos.