80% dos brasileiros cortam gastos até com comida para economizar

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 28 de julho de 2018 às 22:09
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 18:54
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Segundo especialista, ajuste de orçamento doméstico foi além do corte de gastos com os supérfluos

Além de buscar fontes alternativas de renda fazendo
bicos, oito em cada dez brasileiros realizaram cortes no orçamento no primeiro
semestre deste ano para driblar a crise, revela um estudo do Serviço
de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação
Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). As maiores
reduções de gastos ocorreram nas refeições fora de casa, no consumo de artigos
de vestuário, de itens que não são de primeira necessidade nos supermercados,
como carnes nobres, congelados, bebidas e iogurtes, e gastos com lazer.

A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti,
ressalta que ajuste do orçamento doméstico foi além do corte de gastos e da
busca de receitas. Entre o primeiro semestre de 2017 e o mesmo período deste
ano, aumentou a parcela de brasileiros que precisou vender algum bem para
conseguir dinheiro. Mesmo assim, cresceu a fatia dos que ficaram inadimplentes.
Segundo a Serasa Experian, birô de análise de crédito, havia em junho 61,8
milhões de consumidores inadimplentes no País.

Buscar bicos e cortar gastos, esses dois movimentos
juntos mostram que o quadro para as finanças pessoais piorou neste ano. Marcela
lembra que a taxa básica de juros está no menor nível da história, mas ela não
recuou para o consumidor na mesma proporção. A inflação também está bem comportada.

No entanto, as pessoas
reclamam dos preços, pois tiveram queda na renda em razão do desemprego elevado
que persiste. “O desemprego elevado leva as pessoas a procurarem mais
bicos”, diz Marcela.

E como essa renda é
incerta e menor do que a formal, a inadimplência cresce, explica. A economista
ressalta que tudo é consequência da economia fraca

Produtividade

O avanço da informalidade como fonte renda é uma saída
para as pessoas pagarem as contas, mas compromete a retomada sustentável da
economia a médio prazo, alerta a economista. “A informalidade reduz a
produtividade.” As pessoas com renda informal, geralmente menor do que a formal,
não se sentem confiantes para consumir itens de maior valor, normalmente
financiados. Também diante do recuo do consumo, empresários adiam investimentos
e contratações.


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