Antes de dizer “sim” ao bichinho, especialistas explicam o que a família deve avaliar para tomar uma decisão responsável
Quando a criança começa a pedir um animal de estimação, muitos pais ficam em dúvida. Afinal, será que é a hora certa de adotar? (Foto Shutterstock)
Quando a criança começa a pedir um animal de estimação, muitos pais ficam em dúvida. Afinal, será que é a hora certa de adotar? Embora a convivência com pets possa trazer benefícios importantes, a decisão pede planejamento.
Mais do que atender a um desejo do momento, é preciso avaliar a rotina da casa, o tempo disponível e a disposição da família para assumir novos cuidados.
Segundo Marcelo Freitas, psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School (BIS), de São Paulo, os animais podem contribuir bastante para o desenvolvimento infantil.
“A criança aprende, na prática, que existe um outro ser com vontades e necessidades de alimentação, atenção, carinho e cuidados. Isso contribui para a construção de vínculos afetivos mais saudáveis e para o amadurecimento emocional”, explica.
Quais os benefícios de ter um pet para as crianças?
Além da companhia, os animais podem ajudar no desenvolvimento emocional e social. De acordo com Freitas, a convivência também pode ensinar valores importantes de forma natural.
Entre eles:
– Empatia.
– Responsabilidade.
– Paciência.
– Compromisso.
– Respeito.
– Outro benefício está na rotina.
A presença do pet tende a estimular brincadeiras e interação. Em alguns casos, também ajuda a reduzir o tempo excessivo diante das telas.
“É verdade que o animal não substitui relações humanas, mas pode funcionar como uma importante fonte de acolhimento emocional”, afirma o psicólogo.
Mas como saber se é o momento certo?
Antes da adoção, vale fazer algumas perguntas importantes.
Por exemplo:
– A família tem tempo para cuidar do animal?
– Existe espaço adequado em casa?
– Os custos cabem no orçamento?
– Todos estão de acordo com a decisão?
– Há alguém com alergias respiratórias?
Esses pontos fazem diferença no bem-estar do animal e também da família.
Segundo Julia Vieira, veterinária responsável pelos animais da PetFarm do Colégio Progresso Bilíngue, de Indaiatuba (SP), a decisão precisa ser prática e consciente.
“Um pet precisa de tempo, atenção, acompanhamento veterinário, alimentação adequada, higiene e cuidados constantes. Muitas famílias pensam apenas no momento da chegada do animal, mas é importante lembrar que ele fará parte daquela rotina”, alerta.
A criança pode ser responsável pelo animal?
A resposta é: até certo ponto.
A criança pode participar de pequenas tarefas do dia a dia. Por exemplo:
– Colocar água e comida.
– Guardar brinquedos do pet.
– Acompanhar passeios.
– Participar dos cuidados.
Mas os adultos continuam sendo os principais responsáveis. Questões ligadas à saúde, alimentação, higiene e gastos nunca devem ficar apenas nas mãos da criança.
“O adulto é quem deve ser o responsável principal pelo bem-estar do animal”, reforça Marcelo Freitas.
Qual pet combina com cada família?
Nem sempre o animal que a criança quer é o mais indicado para aquela realidade. Por isso, observar o perfil da família é essencial.
Famílias com crianças pequenas
Cães mais dóceis e sociáveis costumam se adaptar melhor. Entre as raças frequentemente associadas a esse perfil estão:
– Labrador.
– Golden Retriever.
– Beagle.
– Cavalier King Charles Spaniel.
Famílias mais ativas
Quem gosta de atividades físicas pode se adaptar melhor a cães com mais energia. Esses animais costumam precisar de passeios frequentes e estímulos diários.
Famílias com pouco espaço
Os gatos podem ser uma alternativa interessante.
Em geral, exigem menos manejo externo. Mas também precisam de brinquedos, enriquecimento ambiental e espaço adequado.
Famílias que passam muito tempo fora
Esse cenário pede atenção. Alguns animais sofrem mais quando ficam sozinhos por muitas horas. Em certos casos, podem desenvolver ansiedade e estresse.
Pet não é brinquedo
Outro ponto importante é ensinar a criança a respeitar os limites do animal. Brincadeiras bruscas, puxões ou excesso de contato podem gerar desconforto no pet. Por isso, os primeiros meses de convivência precisam de supervisão dos adultos.
“Os adultos devem ensinar desde cedo que o pet não é brinquedo. É importante orientar a criança a respeitar o espaço do bicho e entender sinais de desconforto ou estresse”, orienta Julia Vieira.
E se a família decidir esperar?
Tudo bem. Segundo os especialistas, o mais importante é conversar com honestidade. Em vez de tratar a resposta como punição, vale explicar que ter um animal exige tempo, dinheiro e responsabilidade.
Enquanto isso, outras formas de contato com bichinhos podem ajudar.
Entre elas:
– Conviver com pets de familiares.
– Participar de atividades educativas.
– Visitar espaços apropriados.
No fim, a decisão mais consciente costuma ser aquela que considera o bem-estar de todos. Inclusive do animal!