Enxaqueca pode ser de família: como a genética influencia e o que fazer

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 11:30
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Pesquisas mostram que a hereditariedade aumenta o risco de enxaqueca, com maior chance em famílias afetadas

A enxaqueca não é determinada por um único “gene da dor de cabeça”, mas por múltiplos fatores genéticos e ambientais que se combinam (Foto Arquivo)

 

A enxaqueca é uma condição neurológica comum e incapacitante, com forte tendência familiar. Muitos pacientes relatam que parentes próximos — especialmente pais ou irmãos — também sofrem com dores de cabeça intensas e recorrentes.

Isso não é só impressão clínica: pesquisas genéticas e estudos de hereditariedade confirmam a importante contribuição dos fatores genéticos na predisposição à doença.

O que a ciência diz sobre a hereditariedade da enxaqueca

A enxaqueca é considerada uma condição poligênica e multifatorial, o que significa que múltiplos genes, cada um com pequeno efeito, se combinam com fatores ambientais para aumentar a suscetibilidade ao problema.

Estudos com famílias e gêmeos estimam que a hereditariedade da enxaqueca varia entre cerca de 35% e 60%, dependendo do subtipo e da população estudada.

Isso quer dizer que filhos de pessoas com enxaqueca têm maior chance de desenvolver a condição ao longo da vida do que a população geral.

Estimativas sugerem que o risco pode chegar a cerca de 50% quando apenas um dos pais tem enxaqueca, sendo ainda maior quando ambos são afetados.

Vale ressaltar que essa probabilidade não é uma regra: nem todas as pessoas com histórico familiar terão enxaqueca, e quem não tem casos na família também pode apresentar a doença. Como dito, o risco individual resulta da combinação de múltiplos genes com fatores ambientais e de estilo de vida.

Variações genéticas associadas e o papel da poligênese

Grandes estudos de associação genômica (GWAS) identificaram dezenas de regiões no DNA ligadas ao risco de enxaqueca, indicando que a condição envolve muitas variações genéticas comuns, cada uma contribuindo com um pequeno aumento de risco.

Essas variações apontam para mecanismos biológicos relacionados à função dos neurônios, à regulação da dor e à resposta vascular e inflamatória.

A interação entre genes, e entre genes e fatores ambientais como estresse, hormônios e hábitos de vida, ajuda a explicar por que a doença varia tanto de pessoa para pessoa, mesmo dentro de uma mesma família.

Existem também formas raras de enxaqueca com causa monogênica, como a enxaqueca hemiplégica familiar, em que mutações em genes específicos resultam em uma forma hereditária bem definida da doença. Contudo, esse tipo representa uma pequena fração dos casos e não explica a maioria das enxaquecas comuns.

Implicações práticas para quem tem histórico familiar

Entender que a enxaqueca tem um componente genético relevante ajuda a orientar o acompanhamento clínico.

Pessoas com história familiar positiva podem se beneficiar de avaliação neurológica precoce, reconhecimento de gatilhos individuais e estratégias de manejo personalizadas.

A hereditariedade não determina um destino inevitável, mas indica uma predisposição que pode ser amenizada com intervenções adequadas, como ajustes de estilo de vida (sono regular, alimentação equilibrada e controle do estresse), identificação e eliminação de fatores desencadeantes e, quando necessário, terapias preventivas específicas.

O aconselhamento genético também pode ser útil em contextos familiares com enxaqueca dominante, ajudando a interpretar riscos e expectativas em relação à condição.

A enxaqueca não é determinada por um único “gene da dor de cabeça”, mas por múltiplos fatores genéticos e ambientais que se combinam para aumentar a vulnerabilidade individual.

Entender essa base genética ajuda a desmistificar a condição, reduzir estigmas e orientar decisões clínicas mais fundamentadas.

Fonte: CNN


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