Do uso consciente do ar-condicionado à substituição de lâmpadas por LED, veja estratégias que podem reduzir o valor da fatura
Além do calor, o verão também traz outro velho conhecido do brasileiro: a conta de luz mais cara.
Com o uso frequente de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, o gasto de energia aumenta e pesa o bolso no fim do mês. Especialistas dão dicas práticas e fáceis para economizar na conta de luz.
A especialista em energia elétrica e CEO da IGreen, Amanda Durante, ressalta que as dicas mais simples continuam sendo as mais eficazes.
“Apagar luzes em ambientes vazios, evitar deixar aparelhos em stand-by, usar o ar-condicionado de forma consciente e aproveitar ao máximo a luz natural são as recomendações principais”, explica.
“Outra estratégia importante é concentrar o uso de eletrodomésticos de alto consumo, como ferro e máquina de lavar, em menos dias da semana”, completa.
Medidas simples
Segundo a especialista, a adoção dessas medidas simples pode gerar uma economia média de 10% a 30% na conta de luz mensal, dependendo do perfil de consumo da residência.
Com a onda de calor, a moradora do Rio de Janeiro Maria Corrêa, de 24 anos, conta que tem precisado ligar o ar-condicionado durante a tarde, o que aumenta bastante o valor da conta de luz.
“Somos três pessoas. Geralmente a conta já vem alta, entre R$ 500 e R$ 600. A última veio mais de R$ 900. Um aumento absurdo”, enfatiza.
Maria comenta que, apesar de se preocupar com o valor da fatura, ela prioriza o conforto e seu trabalho, que é home office.
Hábitos domésticos
“A gente se segura para pagar a conta de luz porque prezamos pelo conforto e pelo meu trabalho. A gente não abre mão do ar-condicionado quando está muito calor, a ponto de, às vezes, eu não conseguir me concentrar”, explica.
“Nós tentamos segurar muito com o ventilador, até não aguentarmos mais, para depois ligarmos o ar-condicionado. Também não deixamos ele ligado o dia inteiro. Ligamos por algumas horas, depois desligamos e ficamos só com o ventilador, que mantém o ambiente mais fresco.”
Outra forma de economizar na conta de luz é a “energia por assinatura”, um novo modelo de consumo, destaca a especialista Amanda Durante.
“O consumidor passa a utilizar energia limpa, sem precisar investir em placas solares ou fazer obras. Nesse modelo, a energia continua chegando normalmente pela distribuidora, mas passa a ser gerada por usinas solares, o que pode gerar uma economia de até 20% na conta de luz”, informa.
O engenheiro civil e pós-graduado em segurança do trabalho Julio Moutinho também aponta que a substituição de lâmpadas incandescentes e fluorescentes por LED pode ser uma forma de gastar menos.
Aparelhos que mais pesam na conta de luz
A especialista em energia elétrica Amanda Durante avalia que os eletrodomésticos que mais pesam na conta de luz são:
ar-condicionado;
chuveiro elétrico;
geladeira;
máquina de lavar e secar;
forno elétrico;
micro-ondas.
Por isso, antes de adquirir um aparelho eletrônico, é fundamental verificar o Selo Procel, um importante indicador de eficiência energética, observa o engenheiro Julio Moutinho. “Ele mostra o quanto o aparelho consome para desempenhar a função”, explica.
“Equipamentos classificados como Procel A são mais eficientes e consomem menos energia. A substituição de aparelhos antigos pode reduzir o consumo em até 40%, especialmente no caso de geladeiras e ar-condicionado, e, no médio prazo, a economia na conta de luz tende a compensar o investimento inicial.”
Como economizar com o ar-condicionado
O principal aliado no verão é também um dos principais vilões na hora de pagar a conta de luz. O jornal O DIA entrou em contato com a Enel Rio que deu uma série de dicas de como minimizar os impactos do ar-condicionado na hora de pagar as contas.
“Opte por modelos com o selo Procel/Inmetro de eficiência energética A e potência adequada ao tamanho do ambiente”, informa em nota.
Além disso, segundo a concessionária, deve-se:
ajustar a temperatura para 23°C ou mais nos períodos de forte calor;
manter portas e janelas fechadas para evitar que o ar frio escape;
usar a função de economia de energia ou “sleep”.
Geralmente os aparelhos trazem essa função que pode ser efetiva. Deve-se consultar o manual do seu equipamento.
Também é recomendável instalar o aparelho em uma parte alta do cômodo, isso ajuda a resfriar o ambiente de maneira uniforme, sem consumir energia desnecessariamente.
“O modelo inverter é uma boa opção para quem busca um aparelho com maior eficiência energética, economia de energia e conforto térmico”, reforça a Enel.
Segundo a Light, “um equipamento de 9.000 BTU pode representar até 50% da energia gasta em uma residência, considerando oito horas de uso diário”.
Erros que custam caro
Alguns erros que passam despercebidos podem pesar no bolso, alerta Julio Moutinho.
Entre eles, deixar as luzes acesas sem precisar, usar o ar-condicionado com portas e janelas abertas, além de não limpar os filtros, colocar alimentos quentes na geladeira e manter equipamentos conectados à tomada todo o tempo. “São atitudes simples que garantem o consumo mensal”, diz o especialista.
Como calcular o consumo de energia de um aparelho
Para quem está em dúvida sobre ligar ou não o aparelho e quer calcular o gasto, o processo é simples: basta multiplicar a potência do equipamento (em kW) pelo tempo de uso diário e pelo valor do kWh na conta de luz.
Por exemplo, se um aparelho de 1.000 W (1kW) é utilizado por três horas diárias, ele consome 3 kWh por dia.
De acordo com uma publicação de O Dia, esse valor deverá ser multiplicado pelo custo do kWh da sua conta de luz e é possível saber exatamente quanto ele representa no fim do mês.