Consumo de café cai no Brasil e acende mais um alerta de crise do setor

  • Marcia Souza
  • Publicado em 5 de dezembro de 2021 às 14:00
  • Modificado em 5 de dezembro de 2021 às 14:10
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Família francana que consumia sete quilos de café por mês cortou pela metade e adotou chá como opção

Café

Família francana que consumia sete quilos de café por mês cortou pela metade e adotou chá como opção

Confirmando as previsões anteriores da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), o preço do café na gôndola do supermercado já subiu 40%, e começa a refletir no consumo interno de café no Brasil.

De acordo com dados atualizados da ABIC, nos últimos 30 dias, o consumo de café no Brasil recuou cerca de 14%.

O levantamento mostra ainda que a queda no consumo é reflexo do aumento de 130% no valor da saca de café cru, que corresponde a 70% do custo de produção para as indústrias.

Celírio Inácio, diretor executivo da ABIC, afirma que o cenário acende um alerta no setor. Ele estima que até janeiro poderá ser observada mais de 35% de alta para o consumidor final.

“O preço já alcançou a alta de 40% previsto anteriormente. O que aconteceu é nesses dois meses os estoques caíram no varejo e tivemos meses de subida, sem queda e a indústria teve que fazer esse repasse”, acrescenta.

Em Franca

A família Domingos, da zona norte de Franca, é composta por seis pessoas e consumia, por mês, sete quilos de café.

Atualmente, o consumo está reduzido a quatro quilos e, no lugar do café, a solução encontrada está sendo se adaptar ao chá da manhã e da tarde.

Segundo o mecânico Eurípedes, ele, a esposa e os filhos têm se adaptado à realidade das gôndolas dos supermercados.

“Nesta mesma época, no ano passado, a gente pagava R$ 8 no pacote de café. Agora, está o dobro. Então, adotamos o chá mate e de erva cidreira, que é ainda melhor, porque temos no quintal de casa”, afirmou.

E pode subir mais

Quando se fala em preços, analistas de mercado mantêm a projeção de preços firmes para o café até, pelo menos, o primeiro semestre do ano que vem.

As chuvas retornaram, aliviaram as condições do parque cafeeiro, mas as preocupações continuam quando o assunto é condição climática e fase de enchimento de grãos.

Além disso, o retorno da umidade não recupera o potencial produtivo da safra, que começou com muitas dúvidas para o setor.


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