China, nada! Quem mais atrapalha os calçadistas brasileiros hoje em dia é o Vietnã

  • Roberto Pascoal
  • Publicado em 26 de agosto de 2025 às 15:00
  • Modificado em 26 de agosto de 2025 às 17:00
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Importações disparam e indústria local vê concorrência asiática ameaçar empregos e produção

As importações de calçados seguem em forte crescimento em 2025 e preocupam a indústria de Franca, tradicional polo brasileiro do setor. Entre janeiro e julho, o país comprou 26,58 milhões de pares do exterior, desembolsando US$ 337,8 milhões — altas de 27,5% em volume e 30,5% em receita na comparação com o mesmo período do ano passado.

E, ao contrário do senso comum que aponta para a China como principal ameaça, os números mostram que o Vietnã lidera a lista. Foram 8,3 milhões de pares importados de lá, somando US$ 162,45 milhões — crescimentos de 26% em volume e 32,6% em receita.

A China, campeã por muito tempo nas exportações de calçados para o Brasil, aparece em segundo, com 7,96 milhões de pares (US$ 27,47 milhões), seguida pela Indonésia, que embarcou 5,4 milhões de pares (US$ 84,24 milhões), com altas expressivas de 65,8% e 85,3%.

Números expressivos

Somente em julho, o Vietnã foi responsável pelo envio de 1,8 milhão de pares, gerando US$ 34,63 milhões em receita — disparadas de 129,7% e 117% em relação a julho de 2024. No mesmo mês, a China exportou 357,6 mil pares ao Brasil (US$ 4 milhões), enquanto a Indonésia enviou 1,1 milhão (US$ 16,3 milhões).

Além dos calçados prontos, crescem também as importações de partes como cabedais, solados e palmilhas, que alcançaram US$ 26,16 milhões no acumulado de sete meses, 25,2% a mais que no mesmo período do ano passado. China, Paraguai e Vietnã lideram esse segmento.

O avanço preocupa os fabricantes francanos, que enfrentam dificuldades para competir com a concorrência asiática de menor custo. A pressão das importações já compromete a geração de empregos no setor e ameaça a sobrevivência de empresas locais.


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