Bobbie Goods: por que colorir ajuda contra ansiedade, depressão e vício em telas?

  • Rosana Ribeiro
  • Publicado em 17 de junho de 2025 às 18:00
compartilhar no whatsapp compartilhar no telegram compartilhar no facebook compartilhar no linkedin

Atividade contribui para focar no momento presente e estimula área do cérebro responsável pela sensação de bem-estar

Livros de colorir viraram febre e oferecem muito mais que um simples passatempo (Foto: Guia do Estudante)

O fenômeno dos livros de colorir, como os da marca Bobbie Goods, tem ganhado cada vez mais popularidade, especialmente nas redes sociais como o TikTok.

Criada pela artista norte-americana Abbie “Bobbie” Gouveia, a linha traz ilustrações de animais — como ursinhos e cachorros — que devem ser coloridas com canetas hidrográficas, oferecendo muito mais do que apenas um passatempo.

Apesar de inicialmente parecer direcionado ao público infantil, o sucesso da coleção alcançou adultos de todas as idades, atraídos pela sensação de paz e bem-estar que a atividade proporciona.

A editora HarperCollins trouxe os livros ao Brasil, e o sucesso foi tão grande que outras marcas passaram a competir nesse segmento.

Colorir é mais que lazer: é autocuidado

Colorir vai além do entretenimento. Estudos mostram que a atividade pode ajudar a reduzir sintomas de estresse e ansiedade. Isso ocorre por diversos motivos:

Exige atenção focada e movimentos repetitivos, o que favorece a concentração no momento presente.

Ativa o sistema nervoso parassimpático, associado à sensação de calma.

Estimula a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, ligados ao prazer e ao humor positivo.

Funciona como uma “fuga sensorial”, afastando o indivíduo do uso excessivo de telas e promovendo conexão consigo mesmo.

Evidências científicas dos benefícios

Estudos reforçam os benefícios da pintura para a saúde mental. Uma pesquisa chinesa de 2022 mostrou que terapias com pintura, quando associadas ao tratamento convencional, reduzem sintomas de ansiedade e depressão, promovendo comportamentos mais positivos.

De acordo com o psiquiatra Arthur Danila, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, colorir ativa mecanismos similares à atenção plena (mindfulness).

Essa concentração no presente ajuda a reduzir a chamada “ruminação mental”, comum em pessoas ansiosas ou depressivas.

Outro estudo, da Pepperdine University, também demonstrou que os livros de colorir são eficazes na redução de sintomas de ansiedade.

Já a psicóloga Sandy Garcia destaca que a atividade ajuda especialmente quem vive sob estresse constante, promovendo criatividade, imaginação e bem-estar emocional.

Tranquilidade, longe das telas

Um dos maiores atrativos dos livros de colorir é o afastamento dos dispositivos digitais, o que, por si só, já representa um ganho à saúde mental.

Danila alerta que o uso prolongado de telas está associado à fadiga cognitiva, distúrbios do sono e aumento da ansiedade, principalmente pelas redes sociais.

Nesse cenário, atividades como colorir oferecem uma pausa do ritmo acelerado da vida digital, criando uma experiência com mais previsibilidade, foco e ritmo controlável.

Para muitos, trata-se de uma forma inconsciente de reconexão consigo mesmos.

Outras formas de bem-estar

Embora pintar seja uma excelente atividade para aliviar o estresse, os especialistas ressaltam que o bem-estar duradouro depende de um conjunto de hábitos saudáveis. Outras práticas recomendadas incluem:

Caminhadas na natureza: reduzem o cortisol e estimulam a criatividade.

Exercícios físicos regulares: comprovadamente reduzem sintomas de depressão leve a moderada.

Sono de qualidade: essencial para a saúde mental e física.

Atividades manuais: como crochê, cerâmica ou jardinagem, que proporcionam senso de realização.

Práticas contemplativas: como meditação, ioga e respiração consciente, que equilibram o sistema nervoso.

Leitura e escrita reflexiva: ajudam na elaboração de emoções.

Contato social significativo: protege contra transtornos mentais.

Sandy Garcia reforça que a melhor prevenção está na constância e no equilíbrio entre sono adequado, exercícios regulares e uma alimentação saudável.

Ela lembra também da importância da psicoterapia, que contribui com o autoconhecimento e a construção de estratégias para lidar com sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Fonte: G1