Bebedouro enfrenta 1,9 mil demissões com fim da safra da laranja

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 2 de março de 2019 às 12:09
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:25
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Segundo Associtrus, resultado é sazonal. Cidade é a sexta que mais perdeu empregos no país

Com 1.677 postos de trabalho
fechados em janeiro, Bebedouro é o sexto município brasileiro que mais demitiu
no começo do ano, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) divulgado pelo Ministério da Economia.

O resultado é o pior em seis anos, atrás apenas do
registrado em janeiro de 2013, quando 2.112 vagas foram encerradas. Seguindo os
relatórios dos anos anteriores, a agropecuária é o setor que mais demitiu em
janeiro, com saldo negativo de 1.912 vagas.

Segundo Flávio Viegas, presidente
da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), que reúne cerca de 300
produtores de citros, a alta do desemprego neste início de 2019 reflete um
movimento sazonal de dispensa com o fim da safra da laranja. “A safra tem
início em maio e vai até o final de janeiro. Ela começa vagarosamente, depois
vai aumentando e, a partir de dezembro, vai reduzindo até se encerrar no final
de janeiro. Por isso, sempre em um impacto também no resultado divulgado em
fevereiro”, diz.

Na
comparação com anos anteriores, o resultado da agropecuária em janeiro também é
o pior desde 2013.

Viegas
explica que o número de demissões tem relação direta com o desempenho da safra:
quando melhor a colheita, mais trabalhadores contratados. “Lógico que, a safra
maior vai provocar ao final uma demissão maior. Você teve mais trabalhadores
atuando nas lavouras. O maior impacto é decorrente do desempenho da safra. Essa
safra 2018/2019 teve uma recuperação em relação à anterior”, afirma

Relatório do Fundo de Defesa
da Citricultura (Fundecitrus) publicado em 11 de fevereiro aponta que o
cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste mineiro – em que Bebedouro
está inserido – deve produzir 284,88 milhões de caixas com 40,8 quilos de
laranja.

Embora esse número seja 28,5% menor em relação à safra
2017/2018, quando foram produzidas 400 milhões de caixas de laranja, representa
aumento de 3,31% no comparativo com a última estimativa divulgada em dezembro
do ano passado. “A safra é sazonal. Daqui
quatro meses Bebedouro estará entre as cidades que mais contratam no país.
Agora, nesse momento, estamos demitindo porque está terminando a safra”, diz
Lucas Gibin Seren, diretor do Departamento de Desenvolvimento Econômico.

Seren explica que nem todos esses trabalhadores
demitidos permanecem em Bebedouro durante a entressafra. Isso porque, muitos
nem mesmo moram no município, apenas foram contratados por escritórios
agrícolas com sede na cidade. “Muitas vezes, as contratações não são necessariamente
para Bebedouro. Eles estão contratando para trabalhar em uma fazenda em outro
município, mas a matriz da empresa fica em Bebedouro. A carteira passa por
Bebedouro e registra por Bebedouro”, afirma.

Recuperação da Economia

Dados do Caged apontam, por outro lado, recuperação da indústria e da
construção civil na cidade. Enquanto o primeiro setor encerrou janeiro com 72
vagas abertas – alta de 50% em relação a 2018 –, os canteiros de obras geraram
139 empregos – em 2018 foram só dois.

Seren diz que o bom resultado da safra da laranja impacta na indústria e
Bebedouro possui empresas do setor, inclusive uma multinacional. Além disso, um
grupo norte-americano anunciou investimento de R$ 550 milhões na construção de
uma fábrica na cidade este ano.

Em relação à geração de empregos na construção civil – o resultado em
janeiro desse ano é o melhor desde 2003, quando teve início o levantamento do
Caged –, Seren afirma que, pela primeira vez em 30 anos, está sendo construído
um edifício residencial na cidade. “Temos construção de condomínios, novos
bairros, um edifício e também no setor industrial a gente tem uma recuperação
da própria indústria da laranja. Temos um hospital regional sendo construído
pelo estado. Então, isso acaba impactando nessas admissões”, diz.


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