Ácaros e poeira: como evitar que a casa se torne um gatilho para rinite e sinusite 

  • Joao Batista Freitas
  • Publicado em 16 de maio de 2026 às 17:00
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Com o outono e do inverno, tendência de manter ambientes fechados favorece a proliferação de ácaros — e aumenta crises alérgicas

Com a chegada das estações mais frias, é comum manter janelas fechadas e passar mais tempo em ambientes internos.

Esse comportamento, típico do outono e do inverno, cria o cenário ideal para o acúmulo de poeira e a proliferação de ácaros — principais gatilhos de alergias respiratórias como rinite e sinusite.

Espelhos, móveis, roupas de cama e até o sofá: a poeira está presente em praticamente todos os ambientes da casa — e, com ela, um inimigo invisível de quem sofre com alergias respiratórias.

O que diz otorrionolaringologista

Microscópicos e imperceptíveis a olho nu, esses organismos se alimentam principalmente de resíduos da pele humana e encontram nas casas o ambiente ideal para se proliferar, especialmente em locais quentes, úmidos e pouco ventilados.

Segundo a médica otorrinolaringologista Dra. Cristiane Passos Dias Levy, do Hospital Paulista, especializada em alergias respiratórias, a exposição constante a esses agentes pode desencadear ou agravar quadros como rinite e sinusite.

“Os ácaros são um dos principais gatilhos das alergias respiratórias. Eles estão presentes principalmente em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes — ou seja, em itens do dia a dia que muitas vezes não recebem a limpeza adequada”, explica.

Um problema mais comum do que parece 

As doenças alérgicas respiratórias estão entre as condições crônicas mais frequentes no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, milhões de pessoas convivem com sintomas como espirros, congestão nasal e dificuldade para respirar, muitas vezes relacionados a fatores ambientais.

No Brasil, a prevalência também chama atenção: dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) indicam que cerca de 30% da população apresenta algum tipo de alergia, sendo a rinite uma das mais comuns.

“Quando o ambiente doméstico não é controlado, o paciente fica exposto continuamente ao agente causador, o que favorece a persistência ou a piora dos sintomas”, destaca a especialista.

Como os ácaros afetam a saúde respiratória 

Diferentemente do que muitos pensam, não é o ácaro em si que causa a alergia, mas sim partículas presentes em seus resíduos, que são inaladas e desencadeiam uma resposta inflamatória no organismo. Os sintomas mais comuns incluem:

Espirros frequentes
Coriza
Nariz entupido
Coceira no nariz e nos olhos
Tosse seca, especialmente à noite

Em alguns casos, a exposição contínua também pode agravar quadros de sinusite, devido à inflamação persistente das vias aéreas.

Pequenas mudanças que fazem grande diferença 

A boa notícia é que medidas simples no dia a dia podem reduzir significativamente a presença de ácaros dentro de casa. Entre as principais recomendações estão:

Manter os ambientes ventilados e iluminados, sempre que possível;
Trocar e lavar roupas de cama semanalmente, de preferência com água quente;
Evitar acúmulo de poeira em objetos, prateleiras e superfícies;
Reduzir o uso de tapetes, cortinas pesadas e bichos de pelúcia;
Utilizar capas protetoras impermeáveis em colchões e travesseiros.

“Essas ações ajudam a diminuir a carga de alérgenos no ambiente e podem ter um impacto direto na frequência e intensidade das crises”, orienta a médica.

Quando procurar ajuda médica 

Apesar dos cuidados domésticos, é importante buscar avaliação especializada quando os sintomas são persistentes ou impactam a qualidade de vida.

O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e, quando necessário, pode incluir testes alérgicos para identificar os principais gatilhos.

“O tratamento pode envolver desde medidas ambientais até o uso de medicamentos específicos. Em alguns casos, também indicamos imunoterapia, conhecida como ‘vacina para alergia’, que ajuda o organismo a se tornar menos sensível ao agente”, explica a Dra. Cristiane.


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