Setor quer criar colchão permanente para que não haja ruptura na indústria dos biocombustíveis
A queda no preço dos combustíveis, sobretudo na gasolina, está levando a indústria da cana e biocombustível a pedir o aumento de impostos na gasolina e no diesel.
O setor vê na baixa do preço do petróleo uma boa oportunidade de aumentar as tributações sobre os combustíveis mais convencionais, e assim criar um colchão permanente para que não haja ruptura na indústria dos biocombustíveis.
Mas o presidente Jair Bolsonaro já disse que não vai autorizar o aumento. “O álcool não está sendo competitivo perto da gasolina barata, então eles querem que aumente a Cide. Não acho justo aumentar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para salvar setor sucroalcooleiro. Está em R$ 0,10 no litro da gasolina e querem que passe para mais R$ 0,28. A minha política é de não aumentar imposto. Não vou aumentar imposto”, disse nesta quinta-feira, 07.
No entanto, o segmento ainda vê espaço para negociação, e o biodiesel quer estar ao lado dos usineiros do etanol nessa discussão.
O que diz o setor? “Somente se lembra de fazer um colchão no Brasil quando é muito alto o preço do petróleo, nunca se lembram disso quando o preço é baixo, o momento de implantar isso é quando está baixo, porque o consumidor sente menos”, alega Juan Ferré, presidente da Ubrabio (União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene).
Ferrés argumenta que a atividade ainda tem impacto na economia regional e gera emprego, o que pode ajudar na retomada da economia no pós-covid-19. No caso do biodiesel, hoje são mais de 400 mil trabalhadores em 43 empresas.
Qual o contexto? A crise na indústria do biodiesel acompanha a queda de demanda por diesel, puxada pela pandemia do novo coronavírus.
Apesar de mais suave do que da gasolina, a queda de vendas de diesel no primeiro trimestre do ano foi de 20%, o que reduz o volume da mistura do biocombustível, hoje em proporção de 12%.
Além disso, no último leilão realizado pelo governo, em abril, houve queda da compra prevista pelas distribuidoras, empurrando os preços também para baixo, o que trouxe incerteza ao setor.
Quais os planos para o setor? Ferrés vê espaço para implantação de projetos mais ambiciosos, como misturas de 30% e 50% de biodiesel nos transportes coletivos nas grandes cidades, para reduzir a emissão de gases efeito estufa e com isso diminuir a incidência de doenças respiratórias na população.
Também pode ser mais utilizado no setor agrícola, podendo atingir 100% em alguns motores.
Saída da Petrobras também preocupa: A Petrobras está saindo do setor de biodiesel e já anunciou que vai vender seus ativos nessas operações.
O problema é saber quem vai passar a realizar os leilões do produto, já que a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) ainda não demonstrou interesse em voltar a executar as vendas, como fez no início do processo, em 2005.