De volta ao Brasil, pais querem que Davi Miguel tenha vida ‘quase normal’

  • Cesar Colleti
  • Publicado em 30 de junho de 2019 às 22:10
  • Modificado em 8 de outubro de 2020 às 19:38
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Criança passou 4 anos com os pais em Miami, mas foi considerado inapto para cirurgia no intestino

Quatro
anos após deixar o Brasil para tentar um transplante de intestino nos EUA, o
menino Davi Miguel Gama, de 5 anos, está de volta a Franca. No retorno ao país,
a família ficou dois meses em São Paulo, onde a criança foi internada no
Hospital Municipal Menino Jesus para exames e adaptação do equipamento que
garante a alimentação parenteral.

Davi Miguel foi recebido com festa por amigos e
familiares na casa de onde saiu ainda bebê, no bairro City Petrópolis. Agora,
mesmo sem passar pela cirurgia, os pais só pensam em proporcionar ao filho uma
vida o “mais próximo do normal”. “Ele poder ir para a escola, que até hoje não
foi, poder passear porque não conhece nada. Tem as limitações, mas o objetivo
nosso sempre foi lutar para ter ele do lado da gente e da família com uma vida
quase que normal”, diz Jesimar Gama. 

Luta pela sobrevivência

Logo após o nascimento, Davi Miguel foi diagnosticado com a
doença da inclusão das microvilosidades intestinais, conhecida como
“diarreia intratável”. Rara, ela impede a absorção dos nutrientes
pelo organismo. A única forma de nutrir o menino é pelo sistema venoso por meio
da alimentação parenteral.

Em 2014,
a família descobriu que o menino poderia ter uma chance de cura se fosse
submetido a um transplante de intestino, mas em um hospital em Miami, nos EUA.
Os pais mobilizaram uma campanha para arrecadar dinheiro necessário ao mesmo
tempo em que moveram uma ação para obrigar a União a bancar a cirurgia.

A
decisão que obrigou o governo a arcar com os custos do tratamento ocorreu quase
um ano após o início do processo. A Justiça Federal também determinou que 70%
de R$ 1,5 milhão arrecadado pela família fossem revertidos para pagar as
despesas da cirurgia em Miami.

Em
2015, Davi Miguel foi aceito pelo Jackson Memorial Hospital, nos EUA, único
centro médico no mundo habilitado para o procedimento em crianças com o perfil
dele. Porém, uma avaliação dos especialistas em Miami apontou que o menino não
estava apto ao transplante.

Os pais
afirmam que Davi Miguel foi retirado da lista dois meses após a chegada. No
entanto, em novembro de 2018, o Jackson Memorial Hospital informou que a
criança não chegou a integrar a lista nacional.

No hospital, os médicos avaliaram que o quadro clínico de Davi não atendia às
exigências para o procedimento.

Em
2018, em razão da perda dos acessos venosos do menino e da falta de perspectiva
quanto à recuperação deles, a família e a União manifestaram interesse no
retorno e no prosseguimento do tratamento no Brasil, o que ficou acordado em
dezembro de 2018 na Justiça Federal.

Adaptação para viver em casa

A família retornou ao Brasil no dia 12 de abril e seguiu
direto para o Hospital Municipal Menino Jesus, parceiro do Hospital Sírio
Libanês em São Paulo. Por dois meses ele foi acompanhado por uma equipe
multidisciplinar do Centro de Reabilitação Intestinal e Transplantes (CRIT).

Ele foi
submetido a troca do cateter venoso central, por onde recebe a nutrição na
veia. Neste período, os pais foram treinados para conseguirem cuidar de Davi
Miguel em casa.

Em nota, o
hospital informou que “Davi Miguel pode voltar para Franca mantendo o
tratamento com nutrição parenteral total no período noturno, podendo desfrutar
de uma qualidade de vida melhor, com benefícios também em seu desenvolvimento”.
“Ele recebe essa nutrição por 15 horas e ele fica nove horas livre. Nesse
período livre, ele pode passear, ir ao supermercado. A gente quer muito levar
ele ao shopping para conhecer”, diz a mãe.

A Justiça
Federal determinou que todo o acompanhamento de Davi Miguel no Brasil seja
feito pelo Serviço Único de Saúde (SUS). Ele continuará sendo acompanhado pela
equipe do hospital em São Paulo. “A gente está muito feliz pelo tratamento,
pelo aprendizado aqui no Brasil. A gente aprendeu muita coisa aqui, porque aqui
a gente teve acompanhamento médico, com os médicos e enfermeiras que nos
treinaram para, graças a Deus, ele ter a oportunidade de ficar em casa”, afirma
a mãe.

Dinea diz ainda
diz que o que a mantém firme ao lado do marido é a própria energia do filho. “Ele
tem nos ensinado a cada dia. Ele passa por vários procedimentos e a gente do
lado vê o quanto ele é forte. Ele está sempre feliz, alto-astral, sempre
brincando, bem extrovertido, fez muita amizade fora do Brasil, foi muito amado,
e é isso que nos dá força para seguir nossa vida.”


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