Campanha de conscientização vai além da cor amarela e reforça que acolhimento, escuta ativa e tratamento profissional são fundamentais para salvar vidas e combater o estigma do sofrimento emocional
Entenda a origem do Setembro Amarelo, saiba identificar sinais de sofrimento emocional e conheça os canais gratuitos de ajuda e prevenção (Foto Arquivo)
Há dores que não aparecem em exames e não deixam marcas visíveis. É perfeitamente possível que uma pessoa continue trabalhando, sorrindo e levando sua rotina adiante enquanto enfrenta, por dentro, um sofrimento emocional profundo. É justamente contra essa invisibilidade que o Setembro Amarelo atua, buscando construir uma sociedade onde dizer “eu não estou bem” deixe de ser sinônimo de fraqueza.
Mais do que uma cor ou uma campanha de conscientização, a iniciativa aborda o suicídio como um problema complexo de saúde pública que exige escuta responsável, políticas públicas permanentes e acolhimento livre de julgamentos.
A Origem Histórica e o Significado da Campanha
O movimento teve início nos Estados Unidos em 1994, após a morte por suicídio do adolescente Mike Emme, de 17 anos. Conhecido por restaurar um Ford Mustang 1968 e pintá-lo de amarelo, o jovem deixou uma marca que inspirou familiares a distribuírem cartões presos a fitas amarelas com mensagens de apoio.
No Brasil, a mobilização ganhou força nacional em 2013 por iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), consolidando o 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam a urgência do tema: mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, sendo a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em 2021.
Sinais de Alerta e Como Acolher
O sofrimento psíquico raramente se manifesta por um único comportamento isolado, mas a atenção da família e dos amigos deve redobrar quando há acúmulo de sinais como:
– Isolamento social repentino e perda de interesse por atividades habituais;
– Alterações drásticas nos padrões de sono ou de alimentação;
– Expressões frequentes de culpa, inutilidade ou desejo de desaparecer;
– Despedidas incomuns ou abandono do autocuidado.
Diante de crises, frases prontas como “você precisa reagir” ou comparações com a dor dos outros costumam aprofundar a culpa e o isolamento. A abordagem correta passa por uma escuta empática e frases de acolhimento, como “percebi que você não está bem, quer conversar?” ou “vamos procurar ajuda juntos”.
Onde Buscar Ajuda
O apoio profissional é indispensável e pode envolver psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e suporte médico.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, sigiloso e 24 horas por dia pelo telefone 188 (ligação gratuita) ou pelo site oficial.
Em situações de risco imediato, os canais de emergência devem ser acionados:
SAMU: 192; Rede de Saúde: UPAS, pronto-socorros, hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim o primeiro passo para continuar.