Micro ultrassom oferece imagens com resolução superior, permitindo identificar alterações precisas e muito pequenas na próstata
A biópsia de próstata continua sendo o principal exame para confirmar ou descartar o câncer de próstata quando há suspeita da doença.
A indicação costuma ocorrer quando o PSA apresenta alterações, quando o toque retal identifica alguma irregularidade ou quando exames de imagem apontam áreas suspeitas que precisam ser investigadas.
Mas, nos últimos anos, a forma de realizar esse procedimento passou por uma importante evolução. Antes, a biópsia era feita, na maioria dos casos, pela via transretal, em que a agulha atravessava o intestino para alcançar a próstata.
Além do risco maior de infecções, o método tradicional muitas vezes era realizado sem a visualização precisa da lesão, o que aumentava a possibilidade da agulha não atingir exatamente a área do tumor.
Alta resolução
Segundo o urologista, especialista em diagnóstico e tratamento de câncer de próstata, Alberto Tomé, essa realidade começou a mudar com a chegada do micro ultrassom de alta resolução, tecnologia desenvolvida no Canadá e com apenas cinco unidades no Brasil.
“O grande avanço é conseguir visualizar a área suspeita em tempo real e direcionar a agulha exatamente para o ponto que precisa ser investigado. Isso aumenta muito a precisão da biópsia e reduz a chance de resultado falso negativo”, explica o médico.
O micro ultrassom oferece imagens com resolução significativamente superior à do ultrassom convencional, permitindo identificar alterações muito pequenas na próstata. Na prática, isso ajuda o urologista a localizar lesões suspeitas com mais segurança e realizar uma biópsia direcionada.
Outro diferencial é a possibilidade de realizar o procedimento pela via transperineal. Nesse caso, a agulha não atravessa o intestino, mas acessa a próstata pela pele da região entre o escroto e o ânus. Com isso, o risco de infecção é reduzido de forma importante.
Procedimento mais preciso
“A biópsia transperineal representa um ganho enorme em segurança. Como não há perfuração do intestino, diminuímos significativamente o risco infeccioso e conseguimos realizar um procedimento mais preciso e controlado”, afirma Dr. Alberto.
Apesar dos avanços, o especialista reforça que a biópsia não deve ser indicada de forma automática apenas por uma alteração isolada. PSA elevado, toque retal suspeito, histórico familiar, idade, exames de imagem e condições clínicas do paciente precisam ser avaliados em conjunto.
“Nem todo PSA alterado significa câncer. A decisão de realizar uma biópsia deve ser sempre individualizada, após avaliação criteriosa do urologista. A tecnologia veio para tornar essa investigação mais segura e assertiva, mas a indicação médica continua sendo fundamental”, destaca.
O câncer de próstata é um dos tumores mais frequentes entre os homens. Quando diagnosticado precocemente, as chances de tratamento eficaz são maiores.
Por isso, manter acompanhamento regular com o urologista e investigar sinais suspeitos no momento certo continua sendo uma das principais estratégias para preservar a saúde masculina.