Tosse, espirros e secreção: inverno exige atenção com a saúde respiratória dos pets

  • Nene Sanches
  • Publicado em 23 de junho de 2026 às 20:00
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Chegada do frio favorece a circulação de doenças respiratórias em cães e gatos e reforça a importância do atendimento veterinário

Com a chegada do inverno, iniciada oficialmente em 21 de junho, as baixas temperaturas trazem mudanças que vão além da rotina das pessoas.

Os pets também ficam mais suscetíveis a doenças respiratórias, já que costumam permanecer por mais tempo em ambientes fechados e com menor circulação de ar, cenário que favorece a disseminação de vírus e bactérias.

Embora possam atingir animais de qualquer idade, filhotes, idosos e pets com doenças preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis e podem desenvolver complicações quando o diagnóstico e o tratamento são tardios.

“O termo popular ‘gripe’ é frequentemente utilizado pelos responsáveis para descrever doenças infecciosas que acometem o trato respiratório de cães e gatos, embora essas enfermidades sejam diferentes da gripe humana”, explica a médica-veterinária e docente do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), Nathalia Villaça Xavier.

Tosse dos canis e rinotraqueíte

Nos cães, a enfermidade respiratória mais conhecida é a Doença Respiratória Infecciosa Canina, anteriormente chamada de tosse dos canis.

Trata-se de uma síndrome multifatorial causada por diferentes vírus e bactérias, como Bordetella bronchiseptica, vírus da parainfluenza canina, adenovírus canino tipo 2 e coronavírus respiratório canino.

Já nos gatos, o quadro mais frequente é o Complexo Respiratório Felino, que tem como principais agentes o herpesvírus felino tipo 1, responsável pela rinotraqueíte viral felina, e o calicivírus.

Segundo a profissional, embora ambas sejam doenças respiratórias contagiosas, os sinais clínicos costumam ser diferentes.

“A tosse dos canis caracteriza-se principalmente por uma tosse seca, intensa e persistente, enquanto a rinotraqueíte felina, geralmente, provoca espirros, secreção nasal, conjuntivite e secreção ocular, podendo também causar febre e redução do apetite”, afirma.

Além desses sintomas, cães e gatos podem apresentar apatia e, nos casos mais graves, dificuldade respiratória. A médica-veterinária orienta que o atendimento deve ser procurado sempre que os sinais surgirem, houver piora progressiva, febre, prostração ou qualquer dificuldade para respirar.

Pets mais vulneráveis

Nem todos os cães e gatos respondem da mesma forma às infecções respiratórias. Filhotes, idosos e animais com doenças preexistentes apresentam maior risco de desenvolver complicações.

“Filhotes possuem sistema imunológico ainda em desenvolvimento e, por isso, podem apresentar evolução mais rápida e complicações mais severas. Animais idosos também têm maior risco devido à redução natural da eficiência das respostas imunológicas associada ao envelhecimento”, explica Nathalia.

A profissional destaca ainda que cães e gatos com doenças cardíacas, respiratórias, renais, endócrinas ou outras condições crônicas possuem maior predisposição ao desenvolvimento de pneumonias e demais complicações respiratórias.

Nos cães, outro grupo que merece atenção são os braquicefálicos, como Pug, Bulldog e Shih-tzu. Por apresentarem alterações anatômicas das vias aéreas superiores, esses animais podem ter agravamento dos sintomas respiratórios e maior risco de insuficiência respiratória.

Como acontece a transmissão

A transmissão dessas enfermidades ocorre, principalmente, por meio das secreções respiratórias eliminadas durante tosses e espirros, e não apenas pelo contato direto entre os animais.

Os agentes infecciosos também podem permanecer em comedouros, bebedouros, brinquedos, caixas de transporte e até nas mãos das pessoas que manipulam diferentes pets. Por isso, ambientes com grande circulação de cães e gatos favorecem a disseminação das doenças.

Entre os locais de maior risco estão hotéis, creches, canis, gatis, abrigos, feiras de adoção e eventos que reúnem muitos animais. Além da alta concentração de pets, fatores como ventilação inadequada, estresse e grande rotatividade contribuem para aumentar a transmissão.

Durante o inverno, o cenário se torna ainda mais favorável à circulação desses agentes, já que os animais costumam permanecer por mais tempo em ambientes fechados e menos ventilados, aumentando o contato próximo entre eles.

Vacinação é a melhor proteção

A vacinação segue sendo a medida mais eficaz para reduzir a ocorrência e a gravidade das doenças respiratórias em cães e gatos.

Nos cães, as vacinas oferecem proteção contra importantes agentes envolvidos na tosse dos canis, como a parainfluenza e a Bordetella bronchiseptica. Já nos gatos, as vacinas múltiplas incluem proteção contra o herpesvírus felino e o calicivírus, principais causadores do complexo respiratório felino.

“Embora a vacinação não impeça completamente a infecção em todos os casos, ela reduz de forma significativa a gravidade dos sinais clínicos, a duração da doença e a ocorrência de complicações”, destaca a profissional.

Além da vacinação, ela recomenda manter os ambientes limpos e bem ventilados, higienizar com frequência os utensílios dos animais, evitar a exposição de pets não vacinados a locais com grande circulação de outros animais e isolar cães e gatos doentes para reduzir a transmissão.

Outra orientação importante é nunca recorrer à automedicação.

“Muitos responsáveis acreditam que espirros ou tosse leve não representam risco significativo, mas mesmo quadros aparentemente discretos podem ser altamente contagiosos. O uso de medicamentos humanos ou antibióticos sem prescrição veterinária pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e favorecer a resistência bacteriana”, alerta Nathalia.

No caso dos gatos, ela lembra, ainda, que animais infectados pelo herpesvírus felino podem permanecer portadores do vírus por toda a vida e apresentar novas crises em períodos de estresse.

Segundo o portal Cães e Gatos, manter a vacinação em dia e realizar acompanhamento veterinário periódico continua sendo a melhor estratégia para preservar a saúde respiratória dos pets durante o inverno e ao longo de todo o ano.


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