Por que cuidar da mente também ajuda a controlar a pressão alta

  • Nina Ribeiro
  • Publicado em 8 de abril de 2026 às 21:00
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Ansiedade, noites mal dormidas e rotina intensa entram no radar como fatores de risco para hipertensão e podem agravar o problema sem que você perceba

Estudos apontam que saúde mental influencia diretamente a pressão arterial e o risco cardiovascular (Foto Arquivo)

 

A relação entre saúde mental e pressão alta tem ganhado cada vez mais atenção entre especialistas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de um terço da população adulta brasileira convive com diagnóstico de hipertensão arterial, condição considerada um dos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral.

Embora fatores como genética, excesso de sal na alimentação, sedentarismo e obesidade continuem entre os principais gatilhos da doença, pesquisas recentes mostram que ansiedade, estresse crônico e depressão também podem influenciar no surgimento e agravamento do quadro.

A hipertensão costuma evoluir de forma silenciosa e muitas vezes só é identificada em exames de rotina ou após complicações cardiovasculares.

Saúde emocional também impacta o coração

Estudos recentes publicados em revistas científicas internacionais apontam que a combinação entre ansiedade e depressão está associada a maior probabilidade de hipertensão, inclusive entre jovens adultos.

Segundo Luciano Drager, coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, a hipertensão é resultado de múltiplos fatores e hoje a saúde emocional já faz parte dessa análise clínica.

De acordo com o especialista, a visão médica evoluiu nos últimos anos e passou a incluir transtornos de humor como componentes relevantes no desenvolvimento da doença.

Hormônios do estresse alteram a pressão arterial

Drager explica que episódios frequentes de ansiedade e estresse ativam mecanismos fisiológicos de alerta no organismo.

Esse processo provoca liberação repetida de adrenalina e outros hormônios ligados ao estresse, aumentando a frequência cardíaca e favorecendo elevações na pressão arterial.

Quando essa resposta se torna constante, o organismo passa a manter níveis elevados de pressão por períodos prolongados.

Segundo o cardiologista, esse efeito pode se consolidar como hipertensão sustentada ao longo do tempo.

Rotina desregulada amplia os fatores de risco

Além da ação direta no organismo, o estresse também interfere nos hábitos de vida.

Noites mal dormidas, alimentação desorganizada, redução da atividade física e ganho de peso aparecem com frequência em pessoas submetidas a rotinas de tensão contínua.

Esse conjunto de fatores aumenta ainda mais o risco cardiovascular.

Para o especialista, muitas vezes a piora da pressão não está ligada a um único fator isolado, mas ao acúmulo de comportamentos que se instalam gradualmente.

Prevenção envolve corpo e mente

A orientação médica é investir em hábitos sustentáveis no dia a dia.

Entre as recomendações estão manter alimentação equilibrada, reduzir o excesso de sal, praticar atividade física regularmente e preservar a qualidade do sono.

Drager reforça que o cuidado com a saúde mental também precisa entrar nessa rotina preventiva.

Criar pausas durante o dia, regular horários de descanso e desenvolver estratégias para lidar com situações de pressão emocional podem trazer impacto real no controle da pressão arterial.

Cuidar da mente, segundo ele, também é uma forma concreta de proteger o coração.

Fonte: Notícias ao Minuto


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